Em uma análise contundente sobre os eventos que marcaram o país, a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, 66, afirmou que os atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023 foram consequência direta da tolerância com discursos e ações consideradas intoleráveis. A declaração foi feita durante entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (21). A magistrada, que é a primeira mulher a integrar o STM e a presidir a corte mais antiga do Brasil, destacou que a sociedade e as instituições falharam ao não conter, a tempo, o avanço de narrativas que atentavam contra a democracia.
Segundo Maria Elizabeth Rocha, o país chegou ao 8 de Janeiro porque, por um longo período, foram tolerados comportamentos e declarações que, em um regime democrático saudável, deveriam ter sido prontamente rechaçados. A ministra não poupou críticas ao que chamou de ‘normalização do intolerável’, processo que, em sua visão, criou o ambiente propício para a radicalização e para a tentativa de ruptura institucional. Ela defendeu que a responsabilização dos envolvidos, nos âmbitos penal e político, é fundamental para que episódios semelhantes não se repitam.
O papel das instituições e a memória democrática
A presidente do STM também abordou o papel do Judiciário e das Forças Armadas na preservação da ordem constitucional. Ela ressaltou que a Justiça Militar da União tem atuado com rigor nos processos relacionados aos atos golpistas, garantindo o devido processo legal e a punição exemplar daqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito. A ministra defendeu que a memória dos acontecimentos de 8 de Janeiro deve ser preservada como um alerta permanente para a sociedade, evitando que o país volte a flertar com o autoritarismo.
Em um contexto político ainda marcado pelas cicatrizes da tentativa de golpe, a fala da ministra Maria Elizabeth Rocha ecoa como um chamado à vigilância democrática. O país, que ainda processa as consequências daqueles dias, vê no STM uma das trincheiras na defesa da legalidade. A magistrada, que ocupa a presidência da corte desde março de 2025, tem se destacado por sua atuação firme em defesa dos direitos fundamentais e da paridade de gênero nos tribunais superiores, temas que também pautam sua gestão.
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