Pressão sobre o FGC: Eduardo Bolsonaro e Filipe Barros articulam em defesa do Banco Master

Leitores desta coluna já sabem que o deputado bolsonarista Filipe Barros (PL-PR) apresentou um projeto de lei (PL 4395/2024) para elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e salvar o Banco Master. Graças à coluna da jornalista Malu Gaspar, agora sabemos que sua atuação a favor do banco de Vorcaro foi muito mais longe. E pode ter envolvido Eduardo Bolsonaro.

A movimentação política em torno do Banco Master expõe uma articulação que vai além do Parlamento. De acordo com informações apuradas por Malu Gaspar, Eduardo Bolsonaro teria atuado diretamente nos bastidores para garantir que o projeto de lei de Filipe Barros avançasse, numa tentativa de evitar a quebra da instituição financeira e proteger investidores. O PL 4395/2024, que propõe aumentar o limite de garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ, é visto como uma medida de emergência para socorrer o Banco Master, que enfrenta dificuldades de liquidez.

O caso ganhou contornos ainda mais delicados porque o Banco Master é controlado pelo empresário Vorcaro, figura conhecida no meio político e empresarial. A proximidade entre Vorcaro e membros do clã Bolsonaro já havia sido alvo de especulações, mas a revelação de que Eduardo Bolsonaro teria “mandado salvar o Master” acendeu alertas sobre o uso de influência política para beneficiar interesses privados. A coluna de Malu Gaspar, publicada no portal Folha de S.Paulo, trouxe à tona mensagens e relatos que indicam a participação ativa do deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na articulação.

O panorama político geral é de forte tensão entre os poderes. Enquanto o governo Lula enfrenta dificuldades para aprovar pautas econômicas no Congresso, a oposição bolsonarista tenta usar o caso para desgastar o Planalto e, ao mesmo tempo, proteger aliados. A atuação de Filipe Barros e Eduardo Bolsonaro em favor do Banco Master ocorre em meio a investigações do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a saúde financeira da instituição. Especialistas apontam que, se aprovado, o PL 4395/2024 poderia gerar um rombo bilionário no FGC, que é mantido por contribuições de todas as instituições financeiras do país.

O deputado Filipe Barros, em nota, defendeu o projeto como uma medida de proteção ao pequeno investidor e negou qualquer articulação específica para beneficiar o Banco Master. Já Eduardo Bolsonaro não se manifestou oficialmente até o fechamento desta edição. A coluna de Malu Gaspar, no entanto, sugere que a pressão sobre o FGC pode ter sido orquestrada para evitar um colapso que atingiria diretamente aliados políticos e empresariais do bolsonarismo. O caso promete render novos capítulos, com possíveis convocações de autoridades para prestar esclarecimentos no Congresso.

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