A primeira-dama Janja da Silva respondeu, nesta segunda-feira (8), às críticas feitas pelo pastor Silas Malafaia aos encontros realizados por ela com mulheres evangélicas e afirmou que o líder religioso é ‘insignificante’. A declaração ocorreu durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília, onde Janja também cobrou maior atuação de pastores progressistas para ampliar o diálogo com a comunidade evangélica e contrapor discursos conservadores.
O evento, que reuniu lideranças religiosas, militantes e parlamentares, foi palco de um embate direto entre a primeira-dama e um dos principais representantes da ala conservadora evangélica. Janja afirmou que Malafaia ‘não representa a maioria dos evangélicos’ e que sua postura é ‘insignificante’ diante da diversidade de pensamento dentro das igrejas. A fala ocorre em meio a um esforço do governo federal para estreitar laços com segmentos religiosos, especialmente após o crescimento da influência de pastores conservadores nas eleições de 2022.
Panorama político e reações
A declaração de Janja reflete a estratégia do PT de ampliar sua base de apoio entre evangélicos, grupo que historicamente tem se inclinado para candidaturas de direita. Dados do Datafolha de 2025 indicam que 32% dos evangélicos se identificam como conservadores, enquanto 28% se declaram progressistas. O encontro, que contou com a presença de pastores ligados a movimentos sociais, como o pastor Ariovaldo Ramos, e da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), teve como objetivo articular uma rede de lideranças religiosas alinhadas a pautas como justiça social, direitos humanos e combate à desigualdade.
Silas Malafaia, que não compareceu ao evento, reagiu por meio de suas redes sociais, classificando a fala de Janja como ‘desrespeitosa’ e ‘inadequada para uma primeira-dama’. A troca de farpas acirrou o debate sobre o papel de lideranças religiosas na política brasileira. Enquanto Malafaia é um dos principais articuladores da bancada evangélica no Congresso, pastores progressistas, como o reverendo Romero Rodrigues, defendem que a fé deve estar atrelada a políticas públicas inclusivas.
O 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT também discutiu temas como a reforma tributária, a proteção de comunidades indígenas e a regulamentação de igrejas como entidades filantrópicas. A presença de Janja no evento, que já havia realizado encontros com mulheres evangélicas em estados como Bahia e Pernambuco, sinaliza a aposta do governo em um diálogo mais direto com fiéis, sem intermediários conservadores. A fala da primeira-dama, no entanto, pode gerar reações contrárias entre lideranças que veem na aproximação do PT uma tentativa de instrumentalização da fé.
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