Neste sábado (29), a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV abriu a temporada de exposição nacional dos candidatos à Presidência da República. Apenas quatro postulantes têm direito a tempo de antena, conforme a legislação eleitoral: Lula (5min31s), Flávio Bolsonaro (4min20s), Ronaldo Caiado (2min2s) e Augusto Cury (35s). Cada um adotou uma linha de comunicação distinta, refletindo estratégias de campanha que vão da exaltação de biografia a ataques diretos ao adversário.
O programa de Lula abriu com a trajetória política do ex-presidente e seus mandatos anteriores, mas também trouxe propostas que são bandeiras do atual governo, como o fim da escala 6×1, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a defesa da soberania nacional. A peça, porém, não se limitou ao autopromocional: dedicou espaço a um “currículo” de críticas a Flávio Bolsonaro, citando a relação do adversário com o miliciano Adriano da Nóbrega e o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado por fraudes bilionárias no Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”.
Já Flávio Bolsonaro optou por um tom mais pessoal e moderado. Apresentou-se como “advogado e empresário, casado com a Fernanda, pai da Luísa e da Carol”, e dedicou boa parte do tempo a exibir a família, com ênfase nas mulheres. A esposa, Fernanda, chegou a dizer que o “reeducou” e que ele é o “mais moderado dos Bolsonaros”. A estratégia busca atrair o eleitorado feminino, um dos focos da campanha do candidato do PL.
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, usou o primeiro programa para apresentar seus “quarenta anos de vida pública” e a gestão à frente do estado, mas não poupou críticas aos governos do PT. O tom foi de oposição, com destaque para resultados administrativos e promessas de continuidade de um modelo de gestão que, segundo ele, deu certo.
Augusto Cury, por sua vez, apostou na imagem de “agente da despolarização”. Em seu curto tempo de 35 segundos, fez um trocadilho com o próprio nome e a palavra “cura”, dizendo: “Cury este país”. A mensagem busca se diferenciar em um cenário polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Regras e ordem de veiculação
A propaganda eleitoral gratuita é exibida em dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos, tanto no rádio (às 7h e às 12h) quanto na TV aberta (às 13h e às 20h30). No primeiro dia, a ordem foi definida por sorteio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Avante, PSD, PL e Coligação Brasil Pronto pra Mais (PT). A partir do segundo dia, o sistema passa a ser de rodízio: quem veiculou por último será o primeiro no dia seguinte.
Há ainda o revezamento com a propaganda de candidatos a governador, em dias alternados, e parte do tempo é reservada a candidatos a cargos do Legislativo (deputado e senador). A medida visa garantir equilíbrio na exposição dos postulantes, conforme as regras eleitorais.
O cenário político nacional observa com atenção os primeiros programas, que sinalizam as principais linhas de ataque e defesa de cada campanha. Enquanto Lula foca em realizações e na crítica ao adversário, Flávio Bolsonaro tenta construir uma imagem de moderação e família. Caiado busca capitalizar a experiência administrativa, e Augusto Cury tenta ocupar o espaço do eleitor cansado da polarização. A propaganda gratuita será um dos principais termômetros da disputa até o dia da eleição.
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