PSD de SP libera prefeitos para apoiar Tebet ao Senado, abrindo racha na chapa oficial

O PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, sinalizou que não vai se opor a que parte de seus prefeitos no estado de São Paulo declare apoio a candidatos ao Senado fora da chapa oficial apoiada pela legenda, formada por Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). A informação foi publicada na coluna Painel, da Folha de S.Paulo, em 24 de agosto de 2026.

Segundo a coluna, a decisão de Kassab representa uma flexibilização inédita na orientação partidária. Na prática, prefeitos do PSD paulista poderão apoiar a candidatura de Simone Tebet ao Senado, mesmo que isso signifique votar em uma chapa diferente da oficialmente lançada pelo partido. A medida é vista como uma forma de preservar o capital político local dos prefeitos, que muitas vezes têm alianças municipais que transcendem a federação partidária.

Impacto na chapa oficial e no cenário eleitoral

A chapa oficial do PSD paulista, composta por Derrite e André do Prado, foi desenhada para unir forças com PP e PL no estado. No entanto, a liberação para que prefeitos apoiem Tebet cria um cenário de disputa interna, ainda que não declarada. Tebet, que já foi ministra do Planejamento e Orçamento no governo Lula, é uma das principais vozes do centrão e do MDB, e sua candidatura ao Senado por São Paulo tem sido articulada por setores que buscam uma alternativa ao bolsonarismo e ao lulismo no estado.

A decisão do PSD de não se opor a esse apoio paralelo pode ser interpretada como um movimento estratégico de Kassab, que historicamente atua como fiador de alianças amplas e pragmáticas. Ao liberar os prefeitos, o partido evita desgastes em bases municipais onde o apoio a Tebet é mais forte do que o apoio à chapa oficial, especialmente em cidades do interior e da Grande São Paulo.

Panorama político e reações

O movimento do PSD paulista ocorre em um momento de intensa negociação partidária para as eleições de outubro. Em nível nacional, o partido de Kassab tem adotado uma postura de independência em relação ao governo federal, mas mantém diálogo com todas as correntes. A liberação para os prefeitos pode ser vista como um teste para a disciplina partidária, que vem sendo flexibilizada em vários estados, com candidaturas majoritárias sendo formadas por coalizões heterogêneas.

Para a campanha de Tebet, o apoio de prefeitos do PSD é significativo, pois amplia sua capilaridade no interior paulista, onde a disputa ao Senado costuma ser decidida. Já para Derrite e André do Prado, a decisão representa um desafio: eles terão que conquistar votos sem o apoio integral da máquina municipal do PSD, o que pode enfraquecer suas campanhas em regiões onde os prefeitos optarem por Tebet.

Até o fechamento desta edição, nem a campanha de Tebet nem a chapa oficial do PSD haviam se manifestado oficialmente sobre a liberação. A coluna Painel, que assina a informação, é um dos espaços mais lidos do jornalismo político brasileiro e costuma antecipar movimentações de bastidores com alta precisão.

O caso evidencia a complexidade do xadrez eleitoral de 2026, em que as alianças partidárias formais nem sempre refletem os acordos locais, e onde a autonomia dos prefeitos se tornou um ativo político decisivo. A decisão de Kassab, ao mesmo tempo em que preserva a unidade nacional do partido, abre espaço para que as bases municipais definam seus próprios caminhos, o que pode se repetir em outros estados nas próximas semanas.

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