A bancada feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ingressou com notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), pelo credenciamento do banco Digimais para ofertar empréstimo consignado aos servidores públicos estaduais e municipais. A ação foi protocolada nesta segunda-feira (30) e amplia o escopo das investigações sobre a instituição financeira, que já é alvo de operação da Polícia Federal.
De acordo com a notícia-crime, o Digimais — banco ligado ao empresário e líder religioso Edir Macedo — teria obtido autorização para operar consignado junto ao funcionalismo paulista sem a devida transparência e sem observância de critérios legais. As deputadas autoras do documento apontam que tanto o governo estadual quanto a prefeitura de São Paulo teriam agido de forma a beneficiar a instituição, em detrimento de outras empresas do setor e dos próprios servidores.
Contexto da investigação
O banco Digimais já está sob a mira da Polícia Federal desde junho de 2026, quando foi deflagrada uma operação que bloqueou R$ 670 milhões em bens e valores da instituição. As suspeitas envolvem crimes como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e operações irregulares. Com a inclusão de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes na notícia-crime, o PSOL busca ampliar o foco da apuração para possíveis conivências ou omissões de autoridades públicas no processo de credenciamento.
A bancada feminista do PSOL argumenta que o credenciamento do Digimais ocorreu sem a realização de chamamento público ou licitação, o que violaria princípios da administração pública. Além disso, as parlamentares destacam que o banco apresenta histórico de reclamações e processos judiciais relacionados a práticas abusivas na concessão de crédito consignado.
Panorama político e reações
A ação do PSOL ocorre em meio a um cenário de tensão política no estado de São Paulo. O governo de Tarcísio de Freitas tem enfrentado críticas da oposição por supostas irregularidades em contratos e concessões. Já a gestão de Ricardo Nunes na capital paulista também é alvo de questionamentos sobre transparência em parcerias com instituições financeiras.
Procurados, o governo do estado e a prefeitura de São Paulo ainda não se manifestaram oficialmente sobre a notícia-crime. O banco Digimais, por meio de sua assessoria, negou qualquer irregularidade e afirmou que todas as operações são realizadas dentro da legalidade. O MPF deverá analisar o documento e decidir se abre inquérito para investigar as alegações.
A inclusão de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes na investigação do Digimais representa mais um capítulo na disputa política em torno do sistema financeiro e do crédito consignado no serviço público. A decisão do MPF sobre o caso é aguardada com expectativa por servidores, entidades de classe e partidos de oposição.
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