Apesar do otimismo do governo com o fim da escala 6×1, o PT não acredita que a medida terá efeito político tão imediato. A avaliação interna do partido é que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve seguir um caminho semelhante ao da extinção da jornada 6×1: uma conquista popular que demora a se traduzir em capital político eleitoral.
Segundo fontes do partido ouvidas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a medida de isenção do IR, que beneficia diretamente milhões de trabalhadores, ainda não gerou o impacto esperado nas pesquisas de aprovação do governo. A comparação com o fim da escala 6×1 é recorrente nos bastidores: a reforma trabalhista que extinguiu a jornada de seis dias por um de descanso foi amplamente celebrada, mas levou meses para refletir em melhora na avaliação do governo.
O partido reconhece que a isenção do IR é uma das bandeiras mais fortes do governo Lula, mas alerta que o eleitorado pode demorar a perceber o benefício no bolso, especialmente em um cenário de inflação ainda pressionada. A avaliação é que a comunicação do governo precisa ser mais incisiva para que a medida não se perca no noticiário econômico.
Enquanto isso, o governo tenta acelerar a tramitação do projeto de lei que regulamenta a isenção no Congresso Nacional, mas enfrenta resistência de partidos de oposição, que criticam o impacto fiscal da medida. O PT, por sua vez, defende que a renúncia de receita será compensada pelo aumento do consumo e da arrecadação indireta.
O cenário político geral é de cautela: o governo Lula busca reverter a queda de popularidade registrada nos últimos meses, e a isenção do IR é vista como uma das principais apostas para 2026, ano eleitoral. No entanto, o partido admite que, sem uma estratégia de comunicação eficaz, o impacto pode ser menor do que o esperado.
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