Militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) se reuniram em Brasília nesta segunda-feira (8) durante o “4º Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores” e lançaram uma carta aberta que critica a “manipulação da fé” e busca aproximação com igrejas neopentecostais. O documento, divulgado em meio à preparação para a reeleição de Lula (PT) em 2026, propõe diretrizes para o programa de governo e reflete uma estratégia do partido para ampliar seu diálogo com o eleitorado evangélico, segmento que tem crescido politicamente nos últimos anos.
A carta aberta, endereçada a lideranças religiosas e fiéis, destaca a necessidade de combater o que o partido classifica como uso político da fé, sem citar nominalmente adversários. O texto defende a separação entre Estado e religião, mas reconhece a importância do diálogo com as igrejas para a construção de políticas públicas. O encontro, realizado na capital federal, contou com a presença de deputados, senadores e representantes de movimentos sociais ligados ao PT, além de pastores e líderes evangélicos simpáticos à legenda.
Contexto político e estratégia eleitoral
A iniciativa ocorre em um cenário de disputa acirrada pelo voto evangélico, que tem sido decisivo em eleições presidenciais. Dados do Datafolha de 2025 indicam que cerca de 30% do eleitorado brasileiro se identifica como evangélico, com forte presença em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O PT, que historicamente teve menor penetração nesse segmento, busca reverter essa tendência com ações como a criação do Núcleo Evangélico, em 2022, e a realização de encontros regionais.
A carta também aborda temas como justiça social, combate à pobreza e defesa dos direitos humanos, tentando alinhar valores religiosos com a agenda progressista do partido. O documento, no entanto, evita polêmicas sobre pautas como aborto e casamento igualitário, que geram divergências entre setores evangélicos e a base petista. A estratégia é vista por analistas como uma tentativa de ampliar o diálogo sem alienar aliados tradicionais.
Reações e desdobramentos
Lideranças evangélicas de outras denominações, como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal, ainda não se manifestaram oficialmente sobre a carta. Nos bastidores, porém, há resistência de setores mais conservadores, que veem o PT como um partido hostil aos valores cristãos. Por outro lado, pastores progressistas elogiaram a iniciativa, classificando-a como um passo importante para o debate democrático.
O encontro em Brasília também serviu para alinhar a atuação do núcleo evangélico do PT nas campanhas municipais de 2026, com foco em cidades onde o eleitorado religioso é majoritário. A expectativa é que a carta seja distribuída em igrejas e eventos religiosos nos próximos meses, como parte de uma ofensiva para conquistar votos e reduzir a rejeição ao partido entre evangélicos.
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