O Partido dos Trabalhadores (PT) resgatou o livro “Contra o Sistema da Corrupção”, escrito pelo ex-juiz da Lava Jato e agora pré-candidato ao Governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro, no qual ele afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro apoiou o desmonte do combate à corrupção para proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso da ‘rachadinha’. A obra, publicada em 2024, traz críticas contundentes ao governo Bolsonaro e à atuação do próprio ex-presidente, e agora é utilizada por petistas em meio à campanha eleitoral de 2026 para questionar a coerência do ex-juiz e expor as contradições do bolsonarismo.
No livro, Sergio Moro detalha como Jair Bolsonaro teria interferido para enfraquecer os mecanismos de investigação e punição de crimes de corrupção, com o objetivo de blindar o filho Flávio Bolsonaro, investigado por suposto esquema de desvio de salários de funcionários de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O ex-juiz afirma que o ex-presidente apoiou medidas que desmontaram estruturas de combate à corrupção, como a extinção de órgãos de controle e a nomeação de aliados para cargos estratégicos, criando um ambiente de impunidade.
Panorama político e impacto
O resgate do livro ocorre em um momento de acirramento da disputa política no Brasil, com as eleições de 2026 se aproximando. O PT, que historicamente foi alvo das investigações da Lava Jato, agora utiliza as próprias palavras de Sergio Moro para criticar a aliança entre o ex-juiz e o bolsonarismo. A obra expõe uma ruptura entre Moro e Bolsonaro, que antes eram aliados, e revela como o ex-presidente teria priorizado interesses pessoais e familiares em detrimento do combate à corrupção.
O caso da ‘rachadinha’ envolve Flávio Bolsonaro, que é investigado por suposto desvio de salários de funcionários de seu gabinete, prática conhecida como ‘rachadinha’. As investigações, que avançaram durante o governo de Jair Bolsonaro, foram alvo de críticas de Sergio Moro, que apontou interferências políticas para enfraquecer o processo. O livro também menciona a atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que foi alvo de mudanças que, segundo Moro, prejudicaram o monitoramento de movimentações suspeitas.
O resgate do material pelo PT tem gerado reações no meio político. Enquanto petistas usam a obra para questionar a credibilidade de Sergio Moro e sua aliança com o bolsonarismo, aliados do ex-juiz tentam minimizar o impacto, afirmando que as críticas foram feitas em um contexto específico e que Moro continua sendo um nome forte na luta contra a corrupção. A polêmica reforça as tensões entre as principais forças políticas do país, em um cenário de polarização e disputa por narrativas.
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