Queda histórica nos preços dos fertilizantes alivia pressão sobre o agronegócio global

Os preços dos fertilizantes nitrogenados registraram queda expressiva nas últimas semanas, afastando-se das máximas históricas atingidas durante o conflito com o Irã, mesmo antes de os navios voltarem a circular livremente pelo Estreito de Hormuz. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo, que aponta que operadores do mercado internacional apostam cada vez mais que o pior do choque de oferta no Oriente Médio já passou.

A desvalorização dos nitrogenados ocorre em um contexto de expectativa de normalização das rotas marítimas na região do Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do comércio global de fertilizantes. Apesar de a navegação ainda não ter sido totalmente retomada, agentes financeiros e traders já precificam o fim das interrupções, o que derrubou as cotações dos produtos utilizados na agricultura intensiva, como ureia e nitrato de amônio.

Impacto no agronegócio brasileiro

Para o Brasil, um dos maiores importadores mundiais de fertilizantes, a queda nos preços representa um alívio significativo. O país depende de cerca de 85% do consumo interno de fertilizantes importados, e a crise no Oriente Médio elevou os custos de produção agrícola a patamares recordes. Com a descompressão dos preços, agricultores brasileiros podem reduzir despesas com insumos, o que tende a melhorar a margem de lucro das safras de soja, milho e café.

O movimento de baixa também reflete a redução do prêmio de risco geopolítico, após sinais de distensão entre as potências regionais. Analistas do setor destacam que, embora a situação no Estreito de Hormuz ainda não esteja completamente normalizada, a percepção de que o pior já passou levou os operadores a ajustarem suas posições no mercado futuro.

Panorama político e econômico

A crise no Oriente Médio, iniciada com o conflito entre Israel e grupos armados apoiados pelo Irã, gerou ondas de choque nos mercados de commodities, especialmente petróleo e fertilizantes. O fechamento parcial do Estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 30% de todo o gás natural liquefeito e 20% dos fertilizantes nitrogenados do mundo, elevou os preços a níveis nunca vistos desde a guerra na Ucrânia.

Agora, com a expectativa de que as negociações diplomáticas avancem e que as forças navais internacionais garantam a segurança da rota, o mercado reage com otimismo. A queda nos preços dos fertilizantes também é vista como um fator que pode conter a inflação global de alimentos, já que o custo dos insumos agrícolas é um dos principais componentes do preço final dos produtos.

Especialistas alertam, no entanto, que a volatilidade ainda é alta. Qualquer nova escalada no conflito pode reverter rapidamente a tendência de baixa. Por ora, o alívio é bem-vindo para produtores rurais e consumidores em todo o mundo.

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