A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs publicamente, na tarde desta quarta-feira (24), um racha na família Bolsonaro ao publicar vídeos em seu Instagram nos quais afirma ter sido ‘apunhalada e humilhada’ pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Cerca de uma hora e meia depois, por volta das 18h30, o parlamentar realizou uma live no YouTube ao lado da esposa e, sem citar nominalmente a ex-primeira-dama, declarou: ‘Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol’. O episódio evidencia as tensões internas no clã político que, até então, mantinha uma imagem de unidade em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos vídeos publicados por Michelle Bolsonaro, ela relata que a ruptura ocorreu no fim de 2025, após divergências sobre uma aliança eleitoral no Ceará. A ex-primeira-dama descreveu uma conversa telefônica na qual Flávio Bolsonaro teria sido ‘muito ríspido’, a ‘maltratou’ e sinalizou que não desejava seu apoio político. ‘Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam’, declarou Michelle, em tom de desabafo. A publicação gerou imediata repercussão nas redes sociais e entre analistas políticos, que veem no episódio um possível enfraquecimento da coesão familiar que sempre foi um dos pilares da comunicação bolsonarista.
Durante a live, Flávio Bolsonaro evitou qualquer menção direta ao caso. Em vez disso, afirmou que ‘o que está em jogo no Brasil está muito acima de qualquer vaidade’ e comentou brevemente sobre uma visita ao ex-presidente: ‘Tive lá hoje no meu pai, ele manda abraço sempre para todo mundo’. O senador apareceu na transmissão usando uma máscara do jogador Neymar e acompanhado da esposa, sem dar espaço para perguntas sobre o desentendimento familiar.
Panorama político: o impacto do racha na direita
O embate público entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro ocorre em um momento delicado para o campo conservador brasileiro. A ex-primeira-dama vinha sendo apontada como uma das principais articuladoras políticas da família, especialmente após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Sua base de apoio entre o eleitorado feminino e evangélico a tornava uma peça-chave para as eleições de 2026. Agora, ao expor a briga, ela não apenas fragiliza a imagem de unidade familiar, mas também sinaliza que pode atuar de forma independente, o que pode reconfigurar alianças e estratégias eleitorais.
Especialistas ouvidos pelo Republica do Povo destacam que o episódio pode aprofundar divisões internas no Partido Liberal (PL) e entre grupos bolsonaristas. Enquanto Flávio Bolsonaro optou pelo silêncio e pela fuga para o entretenimento esportivo, Michelle adotou um tom de confronto direto, o que sugere que a crise não será facilmente contornada. A live do senador, ao ignorar o assunto, pode ser interpretada como uma tentativa de minimizar o impacto, mas a exposição pública já colocou o racha em evidência nacional.
Até o fechamento desta edição, nem Jair Bolsonaro nem outros membros da família se manifestaram oficialmente sobre o caso. A expectativa é de que o episódio domine os debates políticos nos próximos dias, especialmente em um contexto de pré-campanha eleitoral, onde a imagem de coesão é frequentemente usada como trunfo político.
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