O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o governo Lula (PT) articulam a votação de um projeto de lei que atualiza o limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEI) antes das eleições, como estratégia para amenizar os efeitos do fim da escala 6×1, aprovado em primeiro turno na Câmara. No entanto, a exclusão das micro e pequenas empresas tributadas pelo regime do Simples Nacional do texto gerou um impasse que pode atrasar a tramitação.
A proposta, que eleva o teto anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 144 mil, é vista como uma medida de compensação para os trabalhadores informais e autônomos que serão impactados pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, aprovada em uma PEC no último dia 26. O governo Lula e a liderança da Câmara consideram a aprovação do reajuste antes do pleito de outubro como uma forma de demonstrar compromisso com a classe empreendedora e evitar desgaste político.
O principal ponto de discórdia é a exclusão das micro e pequenas empresas (MPEs) do Simples Nacional do benefício do reajuste. Representantes do setor argumentam que a medida cria uma distorção, pois apenas os MEIs teriam o limite ampliado, enquanto as MPEs, que já enfrentam custos elevados com a nova jornada, ficariam de fora. A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) e associações como a Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas (Conampe) pressionam para que o texto inclua também as empresas do Simples, sob pena de inviabilizar o acordo.
Panorama político e impactos
O cenário político é de intensa negociação. Hugo Motta tem se reunido com líderes partidários e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para buscar um consenso. A base governista, por sua vez, tenta evitar que o impasse se arraste até o recesso parlamentar de julho, o que comprometeria a meta de votação antes das eleições. A oposição, liderada por partidos como PL e Novo, critica a pressa e aponta que a medida pode gerar renúncia fiscal de R$ 2,3 bilhões ao ano, sem contrapartida clara.
Para os microempreendedores individuais, o reajuste representa um alívio imediato, já que muitos estavam próximos de ultrapassar o teto atual e ser forçados a migrar para regimes tributários mais onerosos. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de MEIs poderiam ser beneficiados com a mudança. Já para as micro e pequenas empresas do Simples, a exclusão pode significar um aumento de custos indiretos, já que muitos MEIs são fornecedores dessas empresas.
O governo Lula aposta na aprovação do projeto como parte de uma agenda de modernização trabalhista e tributária, mas o impasse expõe as dificuldades de conciliar interesses de diferentes setores produtivos em ano eleitoral. A expectativa é que a votação ocorra na primeira quinzena de junho, caso o acordo seja fechado, ou fique para agosto, após o recesso, o que reduziria o impacto político desejado pelo Planalto.
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