Um homem com condenação anterior por estupro foi preso em flagrante na última terça-feira, 18 de março, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, enquanto cumpria livramento condicional. A prisão, realizada pela Polícia Civil por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) local, ocorreu após denúncia de nova tentativa de crime sexual contra uma jovem de 22 anos. O caso, que envolve um reincidente em estupro, expõe lacunas no sistema de monitoramento de apenados em regime de liberdade condicional e reacende o debate sobre a eficácia das políticas de reinserção social no Brasil.
De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito, de 45 anos, abordou a vítima em via pública, no bairro do Jardim Paulista, e tentou arrastá-la para um veículo. A jovem conseguiu escapar e acionou a polícia, que localizou o homem nas proximidades. Durante a abordagem, os agentes constataram que ele possuía mandado de prisão em aberto por descumprimento das condições do livramento condicional, além de histórico de condenação por estupro em 2012, com pena de 8 anos de reclusão. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo informou que o apenado estava sob monitoramento eletrônico, mas não detalhou as circunstâncias da falha que permitiu a nova tentativa de crime.
Panorama político e judicial
O caso de Barueri ocorre em um contexto de crescente pressão sobre o sistema de justiça criminal brasileiro, que enfrenta críticas por falhas na fiscalização de reincidentes e na aplicação de medidas alternativas à prisão. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que, em 2024, cerca de 12% dos apenados em livramento condicional no estado de São Paulo descumpriram as condições impostas, resultando em novas prisões. Especialistas apontam que a falta de integração entre os sistemas de monitoramento eletrônico, as delegacias e o Poder Judiciário contribui para a reincidência, especialmente em crimes sexuais, que apresentam altas taxas de repetição.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) já instaurou procedimento para apurar a atuação da Vara de Execuções Penais de Barueri, responsável pelo acompanhamento do caso. A Defensoria Pública, por sua vez, defende a necessidade de ampliar programas de ressocialização e de tratamento psicológico para agressores sexuais, como forma de reduzir a reincidência. Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional São Paulo classificou a prisão como “mais um exemplo de que o sistema de justiça precisa de reformas urgentes para proteger a sociedade”.
A prisão do reincidente em estupro em Barueri também levanta questionamentos sobre a eficácia do livramento condicional, um benefício previsto na Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) que permite a liberdade antecipada mediante condições como monitoramento eletrônico e comparecimento periódico à Justiça. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2023, o Brasil registrou mais de 66 mil casos de estupro, dos quais cerca de 15% foram cometidos por reincidentes. O caso de Barueri, portanto, não é isolado, mas reflete um problema estrutural que exige respostas coordenadas entre os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo.
A Polícia Civil de São Paulo informou que investiga se o suspeito cometeu outros crimes durante o período de livramento condicional, e que novas vítimas podem ter sido alvo do agressor. O homem permanece preso à disposição da Justiça, e a audiência de custódia está prevista para os próximos dias. O caso deve ser acompanhado de perto por organizações de direitos humanos e por movimentos de defesa das mulheres, que veem na reincidência em crimes sexuais um sinal de alerta para a necessidade de políticas públicas mais rigorosas e eficazes.
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