A remada viking, gesto de comemoração que viralizou após a seleção da Noruega vencer o Senegal e avançar às oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, ganhou uma versão brasileira inusitada no Recife. Na comunidade Lemos Torres, no bairro de Casa Forte, Zona Norte da capital pernambucana, um grupo de amigos recriou o movimento sincronizado de remo à margem de um canal de esgoto, utilizando pedaços de madeira e entoando o bordão ‘Qui’, em apoio à Seleção Brasileira no confronto contra a Noruega, marcado para domingo (5), às 17h. A brincadeira, divulgada pelo criador de conteúdo e dono de barbearia Daniel Pereira, já ultrapassou 500 mil visualizações desde a publicação na sexta-feira (3).
O gesto, que simula a remada sincronizada de um barco ao som de um tambor, foi adaptado ao estilo do grupo, conhecido como ‘cultura rato’. Nas imagens, os participantes aparecem remando de forma coordenada enquanto gritam ‘Ro!’, expressão associada ao ato de remar, mas modificada para o bordão local. ‘Somos criadores de conteúdo. Vimos a oportunidade de refazer o que a Noruega fez em campo, só que do nosso jeito. Usamos o nosso grupo, que é chamado de Rato, mas usando o nosso bordão ‘Qui”, explicou Daniel Pereira, que também destacou a surpresa com a repercussão.
A gravação, feita na tarde de sexta-feira (3), mostra o grupo remando em meio a um cenário que inclui um canal de esgoto, ratos e um tonel de obra, elementos que contrastam com o ambiente original da comemoração norueguesa. O vídeo, que pode ser conferido na íntegra no portal g1 PE, rapidamente se espalhou pelas redes sociais, gerando debates sobre a criatividade e o humor da torcida brasileira em contextos de adversidade urbana.
Panorama político e social
A viralização da remada viking pernambucana ocorre em um momento de intensa polarização política no Brasil, com a Copa do Mundo servindo como pano de fundo para manifestações culturais e sociais. A comunidade Lemos Torres, onde o vídeo foi gravado, é uma área de baixa renda que frequentemente enfrenta problemas de infraestrutura, como o esgoto a céu aberto, o que torna a recriação do gesto norueguês um símbolo de resistência e ressignificação. Enquanto a Noruega celebra sua classificação com um gesto que remete à herança viking, a versão brasileira destaca a capacidade de adaptação e a força da cultura popular, mesmo em condições precárias.
O episódio também reflete a influência das redes sociais na construção de narrativas durante grandes eventos esportivos, com criadores de conteúdo como Daniel Pereira ganhando visibilidade ao transformar situações cotidianas em entretenimento. A escolha do canal de esgoto como palco, embora controversa, ressalta a realidade de muitas comunidades periféricas no Brasil, onde a falta de saneamento básico é um problema crônico. A repercussão do vídeo, com mais de 500 mil visualizações, mostra como a internet pode amplificar vozes e expressões locais, conectando-as a um público global.
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