Renan Filho recorre à Justiça Eleitoral para impedir associação de seu nome ao governo de Paulo Dantas em Alagoas

O ministro dos Transportes, Renan Filho, acionou a Justiça Eleitoral de Alagoas para impedir que seu nome seja associado ao governo de Paulo Dantas (MDB) em meio à crise financeira que envolve a Santa Casa de Maceió. A representação, protocolada nesta quinta-feira (26), mira publicações do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC, PL), e da senadora Dra. Eudócia (PL), que vinculam o ex-governador à atual gestão estadual e ao débito milionário do hospital filantrópico. A ação busca a remoção imediata dos conteúdos e a aplicação de multa de R$ 5 mil por descumprimento, conforme prevê a legislação eleitoral.

A medida de Renan Filho ocorre em um momento de acirramento da disputa política em Alagoas, onde as eleições de 2026 já mobilizam as principais lideranças. O ministro, que governou o estado por dois mandatos (2015-2022), tenta se desvencilhar de críticas direcionadas ao sucessor, Paulo Dantas, que enfrenta questionamentos sobre a gestão fiscal e a dívida de R$ 120 milhões da Santa Casa de Maceió com fornecedores e prestadores de serviço. A crise no hospital, que ameaça suspender atendimentos de urgência e emergência, tornou-se um dos principais temas da campanha eleitoral, com opositores usando o caso para desgastar a imagem do grupo político liderado pelos Renan Calheiros.

Panorama político e judicial

A representação de Renan Filho se baseia no argumento de que as publicações de JHC e da senadora Dra. Eudócia violam a legislação eleitoral ao associar indevidamente o nome do ministro a uma gestão que não é a sua. O ex-governador alega que não ocupa cargo no Executivo estadual desde 2022 e que sua atuação à frente do Ministério dos Transportes é federal, sem relação com as decisões administrativas de Paulo Dantas. A ação pede que a Justiça determine a retirada do ar dos posts e impeça novas publicações com o mesmo teor, sob pena de multa.

O caso ganha relevância em meio ao cenário de fragmentação da oposição em Alagoas. Enquanto o governo aposta em uma candidatura única para o Senado, a oposição se divide entre nomes como JHC, Dra. Eudócia e o ex-senador Fernando Collor. A crise na Santa Casa de Maceió, que já gerou protestos de funcionários e pacientes, é explorada por adversários como símbolo de má gestão, mas Renan Filho busca se distanciar do episódio para preservar sua imagem nacionalmente, especialmente em um ano eleitoral.

Paralelamente, a disputa pelo controle da Câmara dos Deputados também ecoa em Alagoas. O rompimento do deputado Gilberto Gonçalves com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e sua filiação ao MDB reforçam a aposta do partido em uma candidatura própria para a Câmara Federal em 2026. Já as obras paralisadas na BR-101, que cortam o estado, geram crise política e acusações de perseguição judicial entre lideranças locais, ampliando o clima de tensão.

A Justiça Eleitoral de Alagoas deve analisar o pedido de Renan Filho nos próximos dias. Enquanto isso, a crise na Santa Casa de Maceió segue sem solução, com a direção do hospital alertando para o risco de colapso dos serviços. O desfecho do caso pode influenciar diretamente a corrida eleitoral de 2026, especialmente na disputa pelo Senado e pela Câmara Federal.

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