O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, afirmou nesta quarta-feira (5) que, se eleito, pretende fatiar as propostas da PEC Fiscal e negociar o apoio dos partidos do Centrão para aprovar as mudanças. A declaração foi dada em entrevista às jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, nos estúdios da GloboNews, no Rio de Janeiro, em sabatina transmitida pelo g1 e pela GloboNews.
Durante a entrevista, que teve cerca de uma hora e meia de duração, Renan Santos defendeu a adoção de medidas para reduzir o ritmo de crescimento das despesas públicas, citando a desvinculação de recursos destinados à saúde e à educação, além da desindexação de benefícios atrelados ao salário mínimo, como aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ele classificou o momento como um “drama fiscal” que precisa ser respondido com urgência.
Diálogo com o Centrão e estratégia no Congresso
Questionado sobre como aprovaria suas propostas no Congresso, especialmente diante de seu histórico de críticas ao Centrão, grupo que já chamou de “parasita”, Renan Santos afirmou que irá dialogar caso seja eleito. “Eu aceito a alcunha do antissistema no sentido de que eu não participo do grande jogo e seus vícios, mas eu entendo o funcionamento da fábrica de salsichas que é o Congresso Nacional”, disse, relembrando que organizou manifestações de rua pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
O pré-candidato afirmou que aceitaria fatiar a PEC Fiscal, articulada no Congresso pelo deputado Kim Kataguiri (Missão), seu aliado, e que negociaria com os partidos do Centrão para conseguir aprovar a proposta. Segundo ele, a atual estrutura de gastos obrigatórios pressiona as contas públicas e dificulta a queda dos juros. “Essa impressão, somada ao drama fiscal que a gente vem passando, precisa ser respondida agora”, afirmou.
Na avaliação de Renan Santos, o cenário fiscal atual corrói o poder de compra da população, já que os ganhos nominais são compensados pela perda causada pela inflação. “Você dá com uma mão para o aposentado ou para o beneficiário e tira com a outra”, completou.
Panorama das sabatinas e corrida eleitoral
A entrevista com Renan Santos faz parte de uma série de sabatinas com os presidenciáveis promovidas pelo g1 e pela GloboNews. O presidente Lula (PT) foi sorteado como primeiro entrevistado, na terça-feira (4), mas informou que não compareceria. Nesta quinta-feira (6), será a vez de Romeu Zema (Novo); na sexta-feira (7), de Ronaldo Caiado (PSD); e na segunda-feira (10), está prevista a entrevista com Flávio Bolsonaro (PL), que ainda não confirmou presença.
O cenário eleitoral de 2026 segue em movimento, com o prazo para convenções partidárias se encerrando e a definição de chapas presidenciais ainda em aberto. Enquanto alguns partidos já oficializaram candidaturas, outros seguem em negociação. A menos de 100 dias do primeiro turno, apenas duas chapas presidenciais definiram seus candidatos a vice, o que demonstra a complexidade das alianças em curso. A articulação de Renan Santos com o Centrão, mesmo após críticas anteriores, sinaliza uma tentativa de viabilizar sua plataforma de ajuste fiscal em um Congresso fragmentado.
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