Um casal de turistas argentinos foi arrastado por uma onda e ficou ferido em um costão de Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, enquanto tirava fotos em uma área de risco durante o período de ressaca. O incidente ocorreu na tarde do último sábado, quando as vítimas, identificadas como Juan Pérez e María López, ambos de 34 anos, foram surpreendidas por uma onda de grande porte que as arrastou contra as rochas. Equipes de resgate do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil atuaram rapidamente no local, conseguindo retirar o casal do mar e encaminhá-lo ao Hospital Municipal de Búzios, onde receberam atendimento médico. O estado de saúde deles é considerado estável, com escoriações e suspeita de fraturas leves, mas sem risco de morte.
O acidente ocorreu em um trecho conhecido como Costão do Alto, na Praia da Ferradura, região frequentemente visitada por turistas em busca de paisagens para fotografias. A área, no entanto, é sinalizada como de risco, especialmente em dias de ressaca, quando as ondas podem atingir alturas superiores a três metros. Segundo a Defesa Civil de Búzios, o alerta de ressaca estava ativo desde a sexta-feira, com previsão de ondas fortes e correntezas perigosas. Apesar disso, o casal ignorou as placas de advertência e se aproximou do costão para registrar o momento, sendo surpreendido pela força da água.
Resgate e Atendimento
O resgate foi realizado por uma equipe do Corpo de Bombeiros que estava de prontidão na praia, em razão do aumento do fluxo de turistas durante o período de férias. Os bombeiros utilizaram uma prancha de salvamento e cordas para alcançar o casal, que estava agarrado a uma rocha após ser arrastado. Juan Pérez sofreu cortes nos braços e pernas, enquanto María López apresentava dores no ombro direito, possivelmente devido a uma luxação. Ambos foram estabilizados no local e transportados para o hospital, onde passaram por exames de imagem e receberam medicação para dor. A Secretaria Municipal de Saúde de Búzios informou que o casal permanece em observação, mas não há previsão de cirurgia.
Panorama Político e Segurança no Litoral
O incidente reacende o debate sobre a segurança em pontos turísticos costeiros do estado do Rio de Janeiro, que enfrenta um aumento no número de visitantes estrangeiros, especialmente argentinos, durante o verão. Dados da Secretaria de Estado de Turismo apontam que, em 2025, o litoral fluminense recebeu mais de 1,2 milhão de turistas argentinos, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Esse fluxo, no entanto, tem gerado preocupações entre autoridades locais, que apontam a falta de sinalização adequada e de fiscalização em áreas de risco como fatores que contribuem para acidentes. A Prefeitura de Búzios anunciou, após o ocorrido, que irá reforçar a instalação de placas de alerta em pontos críticos e aumentar o patrulhamento de salva-vidas durante os períodos de ressaca.
No âmbito político, o episódio ocorre em meio a discussões sobre a responsabilidade do poder público na prevenção de acidentes em áreas turísticas. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Defesa Civil, tem promovido campanhas de conscientização sobre os perigos do mar, mas críticos apontam que as ações são insuficientes diante do crescimento do turismo. Em Búzios, a situação é agravada pela falta de investimentos em infraestrutura de segurança, como a instalação de guarda-corpos e a contratação de mais salva-vidas. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já abriu um inquérito civil para investigar as condições de segurança no local, podendo resultar em multas ou ações judiciais contra o município.
O caso também levanta questões sobre a responsabilidade dos turistas, que muitas vezes ignoram os alertas em busca de fotos para redes sociais. Especialistas em segurança costeira, como o Instituto de Pesquisas do Mar, recomendam que visitantes evitem áreas de costão durante ressacas e respeitem as sinalizações, além de manterem distância segura da água. A Associação de Hotéis de Búzios informou que está distribuindo folhetos informativos em vários idiomas, incluindo espanhol, para orientar os turistas sobre os riscos. O casal argentino, após receber alta, deverá prestar depoimento às autoridades locais, que investigam se houve negligência por parte de algum órgão público. Enquanto isso, a Defesa Civil mantém o alerta de ressaca para toda a região dos Lagos, com previsão de ondas de até quatro metros até a próxima quarta-feira.
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