O atacante Richarlison, do Tottenham, voltou a comentar publicamente a disputa judicial envolvendo uma mansão em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, e reafirmou que o imóvel foi tomado por Flávio Bolsonaro, ex-assessor e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista recente, o jogador reforçou a versão de que perdeu a propriedade após um suposto esquema de apropriação, enquanto o caso segue tramitando na Justiça com acusações de irregularidades contratuais e documentais.
A mansão, avaliada em cerca de R$ 4 milhões, foi adquirida por Richarlison em 2020, mas logo depois teria sido transferida para uma empresa ligada a Flávio Bolsonaro, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. O jogador alega que nunca recebeu o valor acordado e que o imóvel foi tomado de forma fraudulenta. Em suas declarações, Richarlison disse: “Me tomaram. Não foi uma venda, foi uma tomada. Eles usaram o nome do Flávio para me pressionar.”
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de mensagens e documentos que indicam a participação de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, na negociação. Queiroz, que já foi investigado por movimentações financeiras suspeitas, teria atuado como intermediário na transação. A defesa de Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que a compra foi legal, com pagamento integral realizado. No entanto, Richarlison contesta a versão e apresentou provas de que o valor nunca foi depositado em sua conta.
Panorama político e judicial
A disputa pela mansão em Angra dos Reis insere-se em um contexto mais amplo de investigações sobre o entorno político de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro já foi alvo de inquéritos por supostas práticas de rachadinha e lavagem de dinheiro, enquanto Queiroz responde a processos por peculato e organização criminosa. O caso Richarlison, embora de natureza cível, ganhou contornos políticos por envolver figuras centrais do bolsonarismo e por ocorrer em um momento de tensão entre o governo federal e o Judiciário.
Especialistas apontam que a repercussão do caso pode influenciar a opinião pública sobre a transparência de negócios envolvendo agentes políticos. A mansão, localizada em um condomínio de luxo em Angra dos Reis, é um dos imóveis mais cobiçados da região, e a disputa expõe fragilidades nos mecanismos de controle de transações imobiliárias. A Justiça do Rio de Janeiro ainda não proferiu sentença definitiva, mas o caso já gerou audiências e pedidos de perícia documental.
Richarlison, que se tornou um dos principais nomes do futebol brasileiro, usou sua visibilidade para criticar o que chamou de “impunidade” e “abuso de poder”. Em suas redes sociais, o jogador já havia mencionado o caso anteriormente, mas agora voltou a detalhar a situação, afirmando que a perda do imóvel o afetou financeira e emocionalmente. “Não é só uma mansão. É sobre justiça. Eles acham que podem fazer o que querem porque têm poder”, declarou.
O caso segue sob sigilo judicial, mas fontes próximas ao processo indicam que novas provas podem surgir nos próximos meses. Enquanto isso, a disputa entre Richarlison e Flávio Bolsonaro continua a gerar debates sobre ética, política e direito de propriedade no Brasil.
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