Rússia intensifica bombardeios contra Kiev na véspera de cúpula da Otan e deixa nove mortos

Na véspera de uma cúpula crucial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Rússia lançou ataques em grande escala contra a capital ucraniana, Kiev, deixando pelo menos nove mortos e dezenas de feridos, segundo autoridades locais. As explosões atingiram áreas residenciais, destruíram edifícios e deixaram moradores presos sob os escombros, em uma escalada que acentua a crise humanitária e energética na região.

Os bombardeios, realizados com mísseis e drones, ocorreram na madrugada desta terça-feira (11), horas antes do início da reunião de líderes da Otan em Vilnius, na Lituânia. A ofensiva russa é vista como uma demonstração de força e uma tentativa de desestabilizar o país antes de decisões importantes sobre o apoio militar ocidental à Ucrânia. De acordo com a administração militar de Kiev, os ataques danificaram infraestruturas críticas, incluindo redes de energia e abastecimento de água, agravando a situação de milhões de civis que já enfrentam cortes frequentes.

Impacto humanitário e destruição em áreas residenciais

As equipes de resgate trabalham sem interrupção para localizar sobreviventes sob os escombros de prédios residenciais atingidos. O serviço de emergência da Ucrânia informou que, até o momento, 34 pessoas ficaram feridas, incluindo crianças. Imagens divulgadas mostram bombeiros combatendo incêndios em meio a ruínas e moradores sendo retirados às pressas de suas casas. A prefeitura de Kiev confirmou que bairros inteiros foram afetados, com destaque para as regiões de Darnytskyi e Dnipro, onde os estragos são mais severos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou os ataques como “atos de terrorismo deliberado” e pediu que a comunidade internacional intensifique as sanções contra Moscou. “Eles atacam civis porque não conseguem vencer no campo de batalha”, afirmou em pronunciamento. A ofensiva ocorre em um momento em que a Ucrânia enfrenta uma contraofensiva lenta no leste e sul do país, enquanto a Rússia busca consolidar suas posições.

Panorama político e reações internacionais

A cúpula da Otan em Vilnius tem como pauta principal o fortalecimento do flanco leste da aliança, a adesão da Suécia e o aumento do apoio militar à Ucrânia. Os ataques russos são interpretados por analistas como uma tentativa de pressionar os líderes ocidentais a reduzirem o suporte a Kiev. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, condenou veementemente os bombardeios e reiterou o compromisso da aliança com a defesa da Ucrânia. “A Rússia paga um alto preço por sua agressão, e continuaremos apoiando o direito de autodefesa do povo ucraniano”, declarou.

Enquanto isso, a crise energética se aprofunda. Ataques anteriores a refinarias e subestações elétricas já haviam deixado milhões sem luz e aquecimento no inverno passado. A nova onda de bombardeios ameaça comprometer ainda mais a infraestrutura do país, que depende de reparos constantes. Especialistas alertam que, sem um cessar-fogo imediato, a situação humanitária pode se tornar insustentável, com risco de colapso dos serviços básicos.

O governo ucraniano já solicitou à Otan sistemas de defesa aérea adicionais, como os Patriot e os IRIS-T, para proteger as cidades. A reunião de Vilnius deve anunciar novos pacotes de ajuda, mas a velocidade das entregas preocupa autoridades em Kiev. Enquanto isso, a população civil continua pagando o preço mais alto, com mortes, feridos e destruição em massa.

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