São João Massayó encerra com recorde de público e consolida Maceió como polo cultural nordestino

O São João Massayó, maior festival junino de Alagoas, encerra nesta segunda-feira (29) no bairro do Benedito Bentes, após 20 dias de programação intensa que reuniram mais de 200 atrações musicais e culturais em sete polos espalhados por Maceió. O evento, que começou no dia 9 de junho, consolidou-se como um dos principais calendários festivos do Nordeste, atraindo milhares de visitantes e gerando impacto significativo na economia local, com estimativas de movimentação financeira superior a R$ 50 milhões, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo.

A programação diversificada incluiu desde shows de artistas nacionais, como Alceu Valença e Elba Ramalho, até apresentações de grupos locais de forró, quadrilhas juninas e manifestações culturais típicas, como o coco de roda e o maracatu. Cada polo temático — como o Polo do Jaraguá, dedicado à música eletrônica, e o Polo do Benedito Bentes, focado em tradições juninas — atraiu públicos distintos, ampliando o alcance do evento para diferentes faixas etárias e perfis de frequentadores.

Impacto econômico e turístico

O São João Massayó gerou cerca de 3 mil empregos temporários, entre seguranças, ambulantes, técnicos de som e iluminação, e equipes de limpeza. Hotéis da capital alagoana registraram ocupação média de 85% durante os fins de semana do festival, com picos de 95% no último final de semana, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas (ABIH-AL). O setor de bares e restaurantes também foi beneficiado, com aumento médio de 40% no faturamento em relação ao mesmo período do ano anterior.

A prefeitura de Maceió investiu R$ 12 milhões na estrutura do evento, incluindo palcos, banheiros químicos, iluminação e segurança. Desse total, R$ 8 milhões foram destinados a contratações artísticas, com cachês que variaram de R$ 5 mil para artistas locais a R$ 300 mil para atrações nacionais. A expectativa é que o retorno em arrecadação de impostos municipais, como ISS e ICMS, supere os R$ 20 milhões, segundo a Secretaria Municipal da Fazenda.

Panorama político e cultural

O festival ocorre em um contexto de retomada econômica pós-pandemia, quando eventos culturais ganharam novo fôlego em todo o país. Em Alagoas, o São João Massayó é visto como uma vitrine para o turismo regional, em meio a disputas políticas sobre a destinação de recursos para festas populares. Enquanto o governo estadual, sob a gestão do PSB, destinou R$ 5 milhões em emendas parlamentares para o evento, a oposição, liderada pelo PL, criticou o montante, defendendo que os recursos fossem aplicados em saúde e educação. Apesar das críticas, o festival contou com apoio de deputados estaduais e federais de diferentes partidos, como MDB e PT, que viram no evento uma oportunidade de gerar emprego e renda.

O sucesso do São João Massayó também reflete uma tendência nacional de valorização das festas juninas como instrumento de desenvolvimento local. Em Maceió, a prefeitura planeja expandir o evento para 2025, com a inclusão de mais dois polos culturais e a criação de um circuito gastronômico dedicado à culinária típica nordestina. A expectativa é que o festival se torne um dos maiores do Brasil, competindo com eventos tradicionais como o São João de Campina Grande, na Paraíba, e o Bumba Meu Boi do Maranhão.

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