Um sargento da Polícia Militar do Distrito Federal afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro autorizou a inutilização de uma arma de fogo registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi prestada no âmbito de uma investigação sobre o porte ilegal de uma pistola, que teria sido utilizada pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid sem a devida documentação. O caso, que envolve a destruição de um artefato potencialmente ligado a irregularidades, levanta questionamentos sobre a cadeia de custódia de provas e a possível obstrução de investigações.
De acordo com o sargento, que atuava na segurança do ex-presidente, a ordem para inutilizar a arma partiu diretamente de Michelle Bolsonaro, após a descoberta de que a pistola estava sendo usada de forma irregular. A arma, uma pistola Taurus calibre .40, havia sido registrada em nome de Jair Bolsonaro quando ele ainda era presidente da República, mas, segundo a investigação, estava sob posse de Mauro Cid sem a devida autorização legal. O sargento afirmou que a inutilização foi realizada para evitar que a arma fosse apreendida e pudesse incriminar o ex-presidente ou seu ex-ajudante de ordens.
Contexto da investigação
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o porte ilegal de arma de fogo desde que uma denúncia anônima apontou que Mauro Cid estaria portando uma pistola sem registro em seu nome. Durante as apurações, os agentes descobriram que a arma havia sido inutilizada — ou seja, teve seu mecanismo de disparo danificado de forma irreversível —, o que levantou suspeitas de que a destruição teria sido feita para ocultar provas. O sargento, que não teve o nome divulgado, prestou depoimento na última semana e detalhou como a ordem foi dada, incluindo a participação de outros militares da segurança presidencial.
O depoimento do sargento é considerado peça-chave pela Polícia Civil, pois contradiz versões anteriores de que a inutilização teria sido um procedimento de rotina. A investigação agora busca determinar se houve crime de obstrução de Justiça, além de apurar a responsabilidade de Michelle Bolsonaro e de outros envolvidos. O caso também reacende o debate sobre o uso de armas registradas em nome de autoridades e a fiscalização sobre o arsenal de ex-presidentes.
Panorama político e jurídico
O episódio ocorre em um momento de intensa judicialização da política brasileira, com investigações em curso contra Jair Bolsonaro e aliados por supostas irregularidades durante seu mandato. A revelação de que a ex-primeira-dama pode ter ordenado a destruição de uma arma potencialmente ilegal adiciona mais um capítulo à complexa trama de acusações que envolvem a família Bolsonaro. Especialistas em direito penal apontam que, se confirmada a participação de Michelle Bolsonaro, ela poderá responder por obstrução de Justiça e por porte ilegal de arma, caso fique comprovado que ela tinha conhecimento do uso irregular da pistola.
O caso também levanta questões sobre a atuação das forças de segurança e a proteção de ex-presidentes. A inutilização de uma arma registrada em nome de Jair Bolsonaro sem a devida comunicação às autoridades competentes pode configurar crime de destruição de bem público, já que a arma foi adquirida com recursos públicos durante o mandato. A Polícia Civil aguarda agora a conclusão de perícias na arma inutilizada e a oitiva de outros militares que estavam presentes no momento da destruição.
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