Selic, juros e endividamento: o que os candidatos à Presidência propõem para a economia

O Banco Central (BC) divulga nesta quarta-feira (16) a Selic, taxa básica de juros da economia. O indicador serve de referência para juros cobrados de consumidores e de empresas e influencia o custo do crédito, o consumo e as decisões de investimento. A Selic é definida pelo BC, mas o presidente da República pode tomar atitudes que pesam na decisão e nos rumos da economia, por isso o g1 reuniu as principais propostas dos candidatos à Presidência sobre o assunto.

Atualmente em 14% ao ano, a Selic é um dos principais instrumentos do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros estão elevados, o crédito fica mais caro e o consumo tende a desacelerar, o que ajuda a reduzir a pressão sobre os preços. Por outro lado, o custo maior dos empréstimos pode dificultar o pagamento de dívidas e aumentar o risco de inadimplência.

Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias bateu recorde em julho. Oito em cada dez famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida, de acordo com a pesquisa.

A manutenção de juros elevados também está relacionada às expectativas para a inflação e à percepção sobre a situação das contas públicas. Em 2025, a Selic fechou o ano em 15%, o maior patamar em 20 anos.

A política fiscal, que envolve, entre outros pontos, gastos e receitas do governo, é um dos fatores considerados pelo mercado na formação das expectativas para a economia. Essas expectativas, por sua vez, influenciam as decisões de política monetária do Banco Central.

Propostas dos presidenciáveis

Veja, com base nos planos de governo, as principais propostas dos presidenciáveis para controlar a inflação, reduzir os juros e diminuir o endividamento das famílias:

Lula (PT)

No plano de governo, o presidente e candidato à reeleição reconhece que a Selic elevada “desorganiza a economia e concentra renda”. Para reduzi-la, Lula compromete-se a controlar a inflação e ter responsabilidade fiscal, com a manutenção da regra do arcabouço fiscal.

Lula destaca a continuidade do programa “Desenrola Brasil” para auxiliar famílias e pequenos negócios endividados, o aumento do acesso ao crédito para pequenas e médias empresas e propõe regular apostas online para evitar o comprometimento da renda.

Em entrevista à Globo, no final de agosto, Lula afirmou que a dívida “não preocupa” e argumentou que o crescimento da economia é parte da solução para reduzir a dívida.

Panorama político e econômico

A divulgação da Selic ocorre em um cenário de atenção redobrada sobre as contas públicas e o endividamento das famílias. O recorde de endividamento apontado pela CNC, com oito em cada dez famílias brasileiras com algum tipo de dívida em julho, reforça a pressão sobre o debate econômico na corrida presidencial.

O patamar atual da Selic, em 14% ao ano, e o fechamento de 2025 em 15%, o maior em 20 anos, evidenciam o desafio de conciliar controle da inflação com estímulo ao crédito e ao consumo. As propostas dos candidatos à Presidência sobre o tema devem pautar o debate eleitoral nos próximos meses, à medida que o Banco Central sinaliza os próximos passos da política monetária.

Para além da decisão desta quarta-feira, o mercado segue atento às expectativas fiscais e à percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública, fatores que influenciam diretamente as decisões do BC e o custo do crédito para empresas e consumidores.

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