Sem aliança nacional, União Brasil e PP devem liberar diretórios estaduais para apoiar adversários de Flávio Bolsonaro em 2026

A federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas (União Progressista) não deve apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Sem uma aliança nacional, a tendência é que os diretórios estaduais das legendas tenham liberdade para apoiar o candidato que considerarem mais conveniente em cada estado. A decisão, revelada por fontes das duas siglas ao portal Alagoas 24 Horas, foi influenciada por divergências internas e pelo cálculo eleitoral de médio prazo, que prioriza a sobrevivência regional em detrimento de uma aliança automática com o bolsonarismo.

A União Progressista, que reúne o União Brasil e o PP, é a maior federação partidária do Brasil em número de prefeitos e vereadores, com forte presença no Nordeste e no Centro-Oeste. A recusa em endossar Flávio Bolsonaro reflete o temor de que uma candidatura presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possa isolar as siglas em estados onde o antipetismo não é hegemônico ou onde o centrão prefere manter pontes com o governo Lula (PT).

Impacto na estratégia do PL e na polarização

A decisão da União Progressista fragiliza o plano do PL de construir uma frente ampla de direita já no primeiro turno de 2026. Sem o apoio formal das duas maiores legendas do centrão, Flávio Bolsonaro terá que disputar votos em um cenário de fragmentação, onde partidos como o PSD e o MDB também sinalizam candidaturas próprias ou alianças regionais. A liberdade dada aos diretórios estaduais significa que, em estados como Alagoas, Bahia e Pernambuco, o União Brasil e o PP podem apoiar candidatos do PT ou de partidos de centro, minando a base eleitoral do bolsonarismo fora do eixo Sul-Sudeste.

O movimento também impacta a pré-campanha em curso. Enquanto o PL tenta consolidar o nome de Flávio como herdeiro político de Jair Bolsonaro — inelegível até 2030 —, a falta de uma aliança nacional obriga o partido a negociar palmo a palmo com cada diretório estadual. Em São Paulo, por exemplo, o PP já demonstrou interesse em lançar o deputado Kim Kataguiri ao governo estadual, o que pode gerar atritos com o PL local. Já no Nordeste, o União Brasil tende a apoiar candidaturas de centro-esquerda para manter o controle de prefeituras estratégicas.

Panorama político e próximos passos

A indefinição da União Progressista ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para 2026. O governo Lula prepara uma ampla reforma ministerial para acomodar partidos do centrão, enquanto a oposição busca unificar discursos. A decisão de não apoiar Flávio Bolsonaro sinaliza que o centrão prefere manter a governabilidade com o PT no curto prazo, em troca de cargos e emendas, a se alinhar a uma candidatura que pode não decolar nas pesquisas.

Para o senador Flávio Bolsonaro, o cenário exige uma reavaliação de sua estratégia. Sem o apoio da União Progressista, ele terá que contar com o PL e partidos menores, como o Republicanos, para viabilizar sua candidatura. A tendência é que a pré-campanha se torne mais regionalizada, com cada estado definindo seu próprio palanque. A eleição de 2026, que já é a mais cara da história em estados como Alagoas, promete ser marcada por alianças fluidas e pela ausência de uma polarização clara entre PT e bolsonarismo.

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