A aprovação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos no Brasil pelo Senado americano não altera o cálculo do governo Lula. A avaliação de governistas é que nenhuma decisão sobre o aval diplomático será tomada agora, diante do que classificam como chantagem do governo americano.
O Planalto sustenta que a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, episódio que expôs uma crise diplomática sem precedentes, ainda pesa na balança. Para integrantes do governo, a pressão externa não vai ditar o ritmo do agrément — que só deve ser analisado após as eleições municipais.
Nos bastidores, a leitura é que os EUA atropelaram o rito ao indicar um nome sem consulta prévia, o que teria violado protocolos básicos entre as duas nações. O gesto foi visto como desrespeito institucional, e não como mera formalidade.
Enquanto isso, a crise segue aberta. O governo brasileiro evita confronto direto, mas também não cede à pressão. A expectativa é que o tema volte à mesa apenas depois do pleito, quando o cenário político interno estiver mais previsível e a temperatura diplomática, mais amena.
O próximo passo esperado é uma sinalização oficial de Brasília sobre os termos do agrément, mas só após as eleições. Até lá, o silêncio calculado do Planalto funciona como recado: o Brasil não se curva a ultimatos.
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