Senadora Dra. Eudócia Caldas aciona STF contra Renan Filho por operações da Refit em Alagoas

A senadora Dra. Eudócia Caldas protocolou uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador Renan Filho, ex-governador de Alagoas, por supostas irregularidades nas operações da Refit, estatal alagoana de refino de petróleo. A ação, que também pede investigação pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ocorre em meio a um cenário de intensa crise política no estado, marcado por denúncias cruzadas entre lideranças locais e federais. A senadora, conhecida por sua postura combativa, já havia enfrentado o senador Renan Calheiros, pai de Renan Filho, em embates anteriores no Senado, e agora amplia o foco para o filho, ex-governador.

A notícia-crime, obtida com exclusividade pelo portal Política Alagoana, alega que Renan Filho, durante seu mandato como governador de Alagoas (2015-2022), teria autorizado ou omitido fiscalização em contratos da Refit que resultaram em prejuízos milionários aos cofres públicos. A Refit, que opera no setor de refino de petróleo, é alvo de suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos, com valores que podem ultrapassar R$ 100 milhões, segundo documentos anexados pela senadora. A ação também menciona a participação de outros agentes públicos e privados, sem citar nomes específicos, e pede a quebra de sigilos bancário e fiscal de Renan Filho.

Panorama político e crise institucional

O movimento de Dra. Eudócia Caldas insere-se em um contexto de escalada de tensões políticas em Alagoas e no Senado Federal. A senadora, que representa o estado, já havia protagonizado confrontos com Renan Calheiros, a quem chamou de “desonesto” e “vergonha para a política” em audiência pública sobre o rombo na previdência. Agora, ao mirar Renan Filho, ela busca desarticular o que chama de “clã Calheiros”, que domina a política alagoana há décadas. O caso também se conecta a outras investigações em andamento, como a CPI BMG/Master, que já conta com 27 assinaturas de senadores e apura supostos desvios em fundos de pensão, com acusações contra Renan Calheiros por quebra de promessa de apoio à comissão.

Especialistas apontam que a ação pode ter impacto direto nas eleições municipais de 2024 em Alagoas, onde a família Calheiros e aliados de Dra. Eudócia Caldas, como o prefeito de Maceió, JHC (filho da senadora), disputam espaço. A Refit, por sua vez, é uma estatal estratégica para o estado, e as denúncias podem abalar a credibilidade de Renan Filho, que assumiu o mandato de senador em 2023. A PGR, agora, terá que decidir se abre investigação formal, o que pode levar a novos desdobramentos judiciais e políticos.

Em nota, a assessoria de Renan Filho negou as acusações, classificando-as como “infundadas e motivadas por interesses eleitorais”. Já a senadora Dra. Eudócia Caldas afirmou que “não recuará na defesa da transparência e do combate à corrupção”, prometendo novas denúncias nos próximos dias. O STF ainda não se manifestou sobre o caso, mas a notícia-crime já gera expectativas de um novo capítulo na crise política alagoana, que envolve desde disputas locais até investigações no Congresso Nacional.

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