Sesau de Alagoas firma contrato de R$ 2,5 milhões para serviços gráficos em meio a crise na saúde estadual

A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) assinou um contrato de R$ 2,5 milhões para serviços gráficos, conforme publicação no Diário Oficial do estado. O acordo, que prevê a produção de materiais institucionais e educativos, ocorre em um momento de crise na saúde pública alagoana, marcada por dificuldades na oncologia e sobrecarga nos serviços de saúde. A informação foi divulgada pelo portal Frances News, que destacou a contradição entre os gastos com comunicação e a falta de investimentos na área fim.

O contrato, no valor de R$ 2,5 milhões, foi firmado em meio a um cenário de emergência na saúde estadual. Relatos de pacientes e profissionais apontam para a falta de medicamentos oncológicos, atrasos em cirurgias e superlotação em hospitais de referência. Enquanto isso, a Sesau investe em materiais gráficos, o que gerou críticas de especialistas em gestão pública e de entidades de defesa do SUS.

Panorama da crise na saúde de Alagoas

A situação da saúde em Alagoas não é nova. Nos últimos anos, o estado tem enfrentado denúncias de má gestão, contratos superfaturados e falta de transparência. Em 2025, a Polícia Federal apontou indícios de favorecimento de R$ 80,6 milhões em contratos de hospitais públicos, conforme noticiado pelo portal República do Povo. Além disso, a Sesau desembolsou R$ 2,55 milhões em contratos e aditivos para hospitais, em meio a investigações sobre uma clínica que virou hospital e ampliou atuação no SUS, com habilitação assinada pelo secretário de Saúde.

O novo contrato de R$ 2,5 milhões para serviços gráficos levanta questionamentos sobre as prioridades do governo estadual. Enquanto a população sofre com a falta de leitos e tratamentos, a máquina pública gasta com materiais de divulgação. A medida também contrasta com os cortes orçamentários anunciados em outras áreas.

Repercussão e próximos passos

A publicação do contrato gerou reações imediatas. Conselhos de saúde e movimentos sociais prometem cobrar explicações da Sesau sobre a necessidade e a urgência desse gasto. Especialistas em direito administrativo apontam que, embora a contratação seja legal, ela deveria ser precedida de justificativa detalhada, especialmente em tempos de crise.

O caso também reacende o debate sobre a transparência na gestão pública. Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL) mostram que, em 2025, Alagoas teve um aumento de 12% nas despesas com comunicação, enquanto os investimentos em saúde cresceram apenas 3%. A diferença é vista como um sinal de desalinhamento entre discurso e prática.

Enquanto isso, a população segue refém de um sistema de saúde fragilizado. A expectativa é que o Ministério Público Estadual e o TCE-AL analisem o contrato e verifiquem se há indícios de irregularidades. A sociedade civil organizada também promete acompanhar a execução do contrato, que tem validade de 12 meses.

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