Setores farmacêutico e de equipamentos médicos lideram potencial de entrada no mercado venezuelano, aponta consultoria

Os setores de tecnologia médica (medtech) e farmacêutico (pharma) são os que apresentam as melhores condições para explorar o mercado venezuelano e construir uma posição com risco mais controlado, segundo estudo da consultora L.E.K Consulting. A análise, divulgada nesta segunda-feira (22), aponta que, enquanto esses segmentos já podem avançar com maior segurança, áreas como petróleo e gás, mineração, infraestrutura e private equity ainda dependem de avanços políticos, financeiros e regulatórios incertos no país.

O levantamento da L.E.K Consulting destaca que o mercado venezuelano, historicamente fechado para investimentos estrangeiros, começa a dar sinais de abertura, mas com ritmos distintos entre setores. As indústrias de medicamentos e equipamentos médicos se beneficiam de uma demanda reprimida por insumos básicos e de uma regulamentação sanitária que, embora burocrática, é mais previsível que em outros ramos. Já os segmentos de óleo e gás, mineração e infraestrutura enfrentam entraves como a falta de garantias jurídicas, instabilidade cambial e dependência de acordos políticos que ainda não se concretizaram.

Panorama político e econômico

O estudo chega em um momento de reconfiguração das relações comerciais na América Latina, com a Venezuela buscando atrair capital estrangeiro para superar a crise econômica que perdura há anos. A consultora ressalta que, apesar das oportunidades, o ambiente de negócios no país ainda é marcado por riscos elevados, como a inflação crônica e a falta de transparência regulatória. Para os setores de medtech e pharma, no entanto, a demanda por produtos essenciais, como medicamentos e equipamentos hospitalares, cria uma janela de entrada mais segura, especialmente com a deterioração do sistema de saúde local.

Na outra ponta, os investimentos em petróleo e gás, que já foram o carro-chefe da economia venezuelana, continuam travados por sanções internacionais e pela falta de reformas estruturais. A mineração e a infraestrutura, por sua vez, exigem aportes de longo prazo que dependem de estabilidade política e jurídica, ainda distante da realidade atual. O private equity, que poderia alavancar esses setores, também aguarda sinais mais claros de recuperação econômica.

A L.E.K Consulting recomenda que empresas interessadas no mercado venezuelano priorizem parcerias locais e uma análise detalhada dos riscos cambiais e regulatórios. Enquanto isso, o governo venezuelano, sob pressão para normalizar a economia, tenta atrair investidores com promessas de flexibilização, mas sem avanços concretos em áreas críticas como o respeito a contratos e a propriedade privada.

O estudo reforça que, para os setores farmacêutico e de equipamentos médicos, o momento é de oportunidade, mas com cautela. A consultora estima que o mercado de tecnologia médica no Brasil, por exemplo, movimentou R$ 80 bilhões em 2025, indicando o potencial de crescimento na região. Na Venezuela, a demanda reprimida por saúde básica pode impulsionar a entrada dessas empresas, desde que haja planejamento estratégico e adaptação às condições locais.

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