O Supremo Tribunal Federal (STF) existe para proteger a Constituição, mas o que se vê é uma suprema inversão funcional: o objetivo dominante para muitos de seus membros passou a ser proteger a si próprio, garantindo a própria sobrevivência. Essa análise, publicada pelo colunista Marcus Melo na Folha de S.Paulo em 28 de junho de 2026, revela um padrão que atravessa instituições brasileiras, incluindo Executivo, Congresso, Judiciário, partidos e órgãos de controle.
O chamado affair Master é apontado como o momento em que “o rei está nu”, evidenciando a percepção pública de conflitos internos, decisões voltadas à autopreservação e respostas corporativas. Para Melo, essa percepção tornou-se suficientemente difundida para que não seja mais possível sustentar a mesma narrativa institucional usada desde a Lava Jato.
Panorama Político e Impacto Institucional
A crise de credibilidade não se limita ao STF. O colunista destaca que o modo sobrevivência converteu-se em padrão que contamina todos os Poderes da República. No Executivo, decisões são frequentemente guiadas por cálculos de curto prazo e preservação de cargos. No Congresso, a fragmentação partidária e a busca por interesses pessoais ou de grupos enfraquecem a função legislativa. No Judiciário, além do STF, tribunais inferiores também enfrentam questionamentos sobre imparcialidade e corporativismo.
O affair Master, cujos detalhes não foram aprofundados na coluna, serve como catalisador para um debate mais amplo sobre a qualidade da democracia brasileira. A sensação de que as instituições operam em modo de autopreservação mina a confiança pública e dificulta a implementação de políticas de longo prazo, essenciais para o desenvolvimento do país.
Especialistas ouvidos pelo Republica do Povo reforçam que a situação exige uma reflexão profunda sobre os mecanismos de controle e transparência. “Quando as instituições se voltam para si mesmas, quem perde é a sociedade, que fica sem canais efetivos de representação e proteção de direitos”, avalia o cientista político Carlos Alberto dos Santos, da Universidade de São Paulo (USP).
A coluna de Marcus Melo sugere que o Brasil vive um momento de inflexão, onde a narrativa institucional construída ao longo dos últimos anos precisa ser revista. A pergunta que fica é: como restaurar a confiança em um sistema que parece operar prioritariamente para garantir a própria sobrevivência?
Fonte: ver noticia original

