O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúne nesta terça-feira (15), em sessão extraordinária, para analisar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, e ao ministro Alexandre de Moraes. Os ministros vão discutir se os elementos reunidos no relatório justificam a abertura de uma investigação contra o magistrado. A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e ocorre em meio a questionamentos sobre a validade do relatório e o alcance da análise feita pelo Supremo.
Na véspera do julgamento, Moraes se manifestou pela primeira vez sobre o caso e negou ter cometido qualquer irregularidade. O ministro afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
O que pesa contra Moraes
As suspeitas que levaram à análise do caso pelo STF estão relacionadas a mensagens e anotações encontradas no celular de Daniel Vorcaro. O mecanismo usado por ele (de prints do bloco de notas e envio de fotos temporárias) não permite recuperação das mensagens recebidas, apenas das enviadas pelo banqueiro. Por isso, o relatório não identifica o que Moraes teria respondido, apenas o que Vorcaro enviou. O material foi analisado pela PF e deu origem a um relatório que passou a ser discutido no Supremo.
Entre os principais pontos estão:
Contrato de R$ 130 milhões com o Master
Registros digitais e metadados obtidos na investigação apontam que Moraes atuou na edição de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. Além do contrato milionário, o escritório de Viviane Barci de Moraes firmou um segundo acordo, de R$ 50 milhões, com outra empresa de Vorcaro, segundo a Polícia Federal.
Banqueiro mandou mensagem a Moraes dois dias antes de ser preso, segundo PF
Além disso, trocas de mensagens recuperadas no celular do banqueiro sinalizam que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a PF deflagrar uma operação contra ele. No dia 15 de novembro de 2025, sábado, Vorcaro questionou Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
Encontros entre Vorcaro e Moraes
Em uma das trocas de mensagens, Vorcaro disse a Moraes ter uma “dívida de vida” com o ministro.
Panorama político e desdobramentos
A sessão desta terça-feira ocorre em um contexto de crescente tensão institucional. O STF avalia se abre investigação contra um de seus próprios ministros, fato inédito na história da Corte. Nos últimos dias, o caso ganhou repercussão nacional e mobilizou diferentes setores políticos. Na véspera da sessão, um panelaço contra Moraes foi registrado em bairros de São Paulo, segundo relatos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também questionou o ministro Edson Fachin sobre pedido da PF a André Mendonça envolvendo autoridade com foro no caso Master.
A decisão do plenário pode ter impacto direto sobre a composição e o funcionamento da Corte, além de influenciar o cenário político-eleitoral. O julgamento ocorre sob incertezas quanto ao rito e ao alcance da análise, uma vez que não há precedentes para investigação de ministro do STF por supostas irregularidades em mensagens com um banqueiro investigado. A sessão é acompanhada por parlamentares, advogados e pela imprensa.
O relatório da PF foi entregue ao STF e está sob sigilo. Os ministros devem decidir se arquivam o caso ou se autorizam a abertura de inquérito. A defesa de Moraes sustenta que não há elementos que justifiquem a investigação e que o ministro agiu dentro de suas atribuições. Já os que defendem a apuração argumentam que a gravidade das mensagens exige resposta institucional.
A sessão está marcada para esta terça-feira (15), no plenário do STF, em Brasília.
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