O Subsecretário de Turismo de Búzios foi preso nesta quinta-feira, 26 de julho, em uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que investiga um suposto esquema de cobrança ilegal para liberar festas em embarcações sem alvará. Além do subsecretário, o ex-coordenador de Trânsito do município também foi detido. A ação, que envolveu agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), cumpre mandados de prisão temporária e busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. O caso expõe uma suposta rede de corrupção que teria atuado na liberação irregular de eventos náuticos na região, um dos principais polos turísticos do estado.
De acordo com as investigações, o esquema funcionava com a cobrança de propinas para que festas em barcos fossem autorizadas sem a documentação exigida, como alvarás de funcionamento e licenças ambientais. As embarcações, muitas delas de grande porte, eram usadas para eventos com música ao vivo, consumo de bebidas e aglomeração, sem qualquer fiscalização. O Ministério Público aponta que os valores cobrados variavam conforme o porte da festa e a capacidade da embarcação, com indícios de que parte do dinheiro era desviada para agentes públicos.
A operação, batizada de “Maré Alta”, foi desencadeada após denúncias anônimas e monitoramento de meses. Os investigadores identificaram que o subsecretário de Turismo, que ocupava cargo de confiança na prefeitura, seria um dos principais articuladores do esquema, usando sua posição para facilitar a liberação das festas. O ex-coordenador de Trânsito, por sua vez, teria atuado para evitar multas e apreensões das embarcações, mesmo sem alvará. A prefeitura de Búzios informou, em nota, que colabora com as investigações e que abriu sindicância interna para apurar os fatos. O órgão também destacou que afastou o subsecretário de suas funções.
O caso ganha relevância no cenário político local, já que Búzios é um dos destinos turísticos mais badalados do Brasil, com intensa atividade de festas e eventos náuticos. A operação expõe fragilidades na fiscalização e na gestão pública, em meio a um contexto de disputas políticas na cidade. Nos últimos meses, o município enfrentou denúncias de irregularidades em licitações e contratos, o que levou a Câmara de Vereadores a instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a administração municipal. A prisão do subsecretário e do ex-coordenador de Trânsito pode aprofundar a crise política e gerar desdobramentos em outras esferas, como a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) e o Ministério Público Federal.
As investigações continuam, e o Ministério Público não descarta novas prisões. Os presos foram encaminhados para a Cadeia Pública de Cabo Frio, onde aguardam audiência de custódia. A defesa dos investigados ainda não se manifestou. O caso reforça a necessidade de transparência e controle social na gestão do turismo e da fiscalização em cidades com alta demanda por eventos, como Búzios. A população local, que depende do turismo para a economia, acompanha com apreensão os desdobramentos, temendo impactos na imagem do destino e na geração de empregos.
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