O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ser oficialmente reconhecido como manifestação da cultura brasileira. A medida está prevista no PL 663/2024, projeto de lei aprovado pela Comissão de Educação e Cultura do Senado (CE) nesta quarta-feira (12). A proposta, que agora segue para a Câmara dos Deputados, busca valorizar o SUS não apenas como política pública de saúde, mas como expressão cultural e social do país.
O reconhecimento do SUS como manifestação cultural tem caráter simbólico e prático. Na esfera simbólica, reforça a importância do sistema público de saúde na construção da identidade nacional, destacando sua capilaridade e presença no cotidiano de milhões de brasileiros. Na prática, o título pode facilitar o acesso a fundos de desenvolvimento cultural e a políticas de preservação, ampliando as possibilidades de financiamento para ações que integrem saúde, cultura e cidadania.
Panorama político e desdobramentos
A aprovação na CE ocorre em um contexto de intensos debates sobre o futuro do SUS, que enfrenta desafios históricos de financiamento e gestão. A iniciativa legislativa surge como uma tentativa de fortalecer a imagem do sistema público de saúde, frequentemente alvo de críticas e cortes orçamentários. Ao mesmo tempo, a medida dialoga com movimentos culturais e sociais que enxergam na saúde coletiva uma dimensão cultural, especialmente em regiões onde o SUS é a principal porta de acesso a serviços básicos.
O projeto, de autoria de parlamentares que integram a CE, não especifica mudanças estruturais no funcionamento do SUS, mas estabelece um marco legal que pode influenciar futuras políticas públicas. Caso seja aprovado pela Câmara e sancionado, o reconhecimento poderá ser usado como argumento em disputas orçamentárias e em projetos que integrem saúde e cultura, como ações de promoção da saúde em comunidades tradicionais e indígenas.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa apontam que a medida pode contribuir para a preservação de práticas de saúde populares e para a valorização de saberes tradicionais, sem substituir a medicina convencional. A proposta também é vista como um reforço à ideia de que o SUS é uma conquista social, comparável a outras manifestações culturais reconhecidas por lei, como o frevo e o acarajé.
O trâmite na Câmara dos Deputados será o próximo passo. Lá, o projeto passará por comissões temáticas antes de ir a plenário. A expectativa é de que a proposta encontre apoio em diferentes espectros políticos, dada a relevância do SUS para a população e o apelo simbólico da medida. No entanto, a tramitação pode ser afetada pelo calendário eleitoral e pela agenda legislativa do segundo semestre.
Enquanto isso, a aprovação na CE é celebrada por entidades ligadas à saúde pública e à cultura, que veem no reconhecimento uma forma de proteger o SUS de retrocessos e de ampliar sua legitimidade social. A medida também se alinha a discussões mais amplas sobre o papel do Estado na promoção de direitos fundamentais, como saúde e cultura, ambos previstos na Constituição Federal.
O cooperativismo, por exemplo, já foi reconhecido como manifestação cultural e ampliou seu acesso a fundos de desenvolvimento, como mostrou o portal República do Povo. Esse precedente pode servir de referência para a implementação do novo marco legal do SUS, caso aprovado.
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