Tarcísio defende negociação ‘até a exaustão’ contra tarifaço dos EUA e critica reciprocidade

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em agenda nesta quarta-feira (22) que o Brasil deve insistir nas negociações para tentar reduzir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Segundo ele, este é o único caminho possível e qualquer medida de reciprocidade apenas agravaria a situação.

“O caminho é negociar. Não faz sentido nenhum aplicar a Lei de Reciprocidade, só agrava a situação, não ganhamos nada com isso. Essa investigação da Lei 301 já vem desde o ano passado, não é algo novo. O Brasil teve chance de negociar, podia ter negociado. Obviamente houve negociação, mas não obteve êxito. Temos uma gama de produtos que estão fora, isso prejudica a economia do Brasil, de São Paulo, o nosso agronegócio, o setor de macroequipamentos, perdemos competitividade em relação aos players globais”, afirmou.

“É importante que a negociação seja continuada. Acho que o Brasil tem que continuar negociando, é uma correta orientação do ministro das Relações Exteriores. A negociação por parte das empresas vai ser fundamental, cada empresa levanta seu argumento. A negociação é o caminho, temos que negociar até a exaustão, até o limite”, disse.

Questionado sobre quais medidas o governo paulista pode adotar para amenizar os efeitos do tarifaço, Tarcísio afirmou que pretende repetir ações adotadas no ano passado, como a liberação antecipada de crédito emergencial. “Na situação passada, no ano passado, fizemos liberação de crédito emergencial, fizemos a antecipação da liberação de crédito. A ideia é trabalhar na mesma linha, porque é um remédio que funcionou no ano passado, temos essa carta na mesa. Vamos acompanhar também o que vem sendo divulgado pelo governo federal, em termos de liberação de crédito. A gente tem que ver o que o governo federal vai fazer para adequar as medidas por aqui”, afirmou.

Ao falar sobre o papel do governo federal e do senador Flávio Bolsonaro nas negociações, o governador defendeu que o tema seja tratado sob a ótica comercial. “A gente tem que deixar de procurar narrativas para entender a coisa sob o prisma comercial. Os países estão tentando defender interesses, o americano, o dele, o Brasil, o dele também. Estamos numa disputa comercial, temos a geopolítica mandando em decisões econômicas. Temos que olhar setor por setor para ver nosso balanço, olhar nossas tarifas, as tarifas deles. Isso funcionou no caso da Embraer.”

Enquanto isso, o governo federal anunciou um crédito de US$ 18,5 bilhões para socorrer setores atingidos pelo novo tarifaço. A medida busca mitigar os efeitos da taxação americana sobre produtos brasileiros, que inclui isenções para alguns itens, mas atinge áreas como agronegócio e macroequipamentos.

O panorama político mostra que o tarifaço imposto pelos EUA, sob a administração de Donald Trump, reacendeu debates sobre a Lei de Reciprocidade brasileira e a Lei 301 americana, que investiga práticas comerciais. Enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei de Reciprocidade “está na mesa”, mas que o objetivo não é “fazer guerra comercial, e sim resolver problema”, Tarcísio reforçou a necessidade de negociação contínua para evitar danos maiores à economia nacional.

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