O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), repudiou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e, no mesmo tom do governo Lula, defendeu o uso da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta do Brasil. Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a medida que atinge setores como siderurgia e agroindústria, gerando reações imediatas em Brasília.
A Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2023, permite ao Brasil retaliar países que adotem barreiras comerciais consideradas desleais. O instrumento, defendido pelo governo federal, prevê a aplicação de tarifas equivalentes sobre produtos norte-americanos, como forma de pressionar Washington a reverter a decisão. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia sinalizado que o Brasil não aceitaria passivamente a medida.
Panorama político e econômico
A tarifa de 25% anunciada por Donald Trump atinge diretamente o aço brasileiro, um dos principais itens da pauta exportadora do país para os EUA. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para o mercado norte-americano, atrás apenas do Canadá. A medida pode impactar cerca de US$ 3 bilhões em exportações anuais, segundo estimativas de associações do setor.
No Congresso, a reação foi unânime entre líderes partidários, que veem na tarifa um ataque à parceria comercial histórica entre os dois países. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também se manifestou contra a decisão, defendendo uma resposta coordenada entre os Poderes Executivo e Legislativo. A oposição, por sua vez, criticou a postura do governo Lula, acusando-o de não ter antecipado a medida.
O governo brasileiro avalia acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a tarifa, mas a Lei da Reciprocidade é vista como uma ferramenta mais ágil e de efeito imediato. A medida, no entanto, pode gerar tensões diplomáticas com os EUA, que é o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Empresários do setor siderúrgico já alertam para possíveis demissões e perda de competitividade caso a tarifa se mantenha. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o impacto pode se estender a outros setores, como o de máquinas e equipamentos, que dependem do aço brasileiro exportado para os EUA.
O cenário reforça a necessidade de diversificação de mercados para o Brasil, que já negocia acordos com a União Europeia e a China. A crise comercial com os EUA ocorre em um momento de recuperação econômica pós-pandemia, com inflação controlada e juros em queda, mas ainda com desafios fiscais.
Fonte: ver noticia original

