Dezenas de torcedores do Vasco da Gama realizaram um protesto na tarde deste sábado (15) em frente ao estádio São Januário, na zona norte do Rio de Janeiro, cobrando a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Com faixas, gritos de ordem e bandeiras, os manifestantes pressionaram a diretoria por uma solução definitiva para a crise financeira e administrativa que assola o clube carioca há anos. O ato, organizado por torcidas organizadas e grupos independentes, ocorreu de forma pacífica, mas com forte tom de cobrança, refletindo a insatisfação da torcida com a demora nas negociações para a venda da SAF, que poderia injetar recursos e reestruturar o futebol do Vasco.
O protesto foi marcado por cânticos contra o presidente do clube, Jorge Salgado, e contra o Conselho Deliberativo, acusados de não avançarem nas tratativas com potenciais investidores. Segundo informações divulgadas pela imprensa esportiva, a venda da SAF do Vasco é vista como a principal saída para quitar dívidas estimadas em mais de R$ 700 milhões e para modernizar a gestão do futebol, que atualmente enfrenta dificuldades para manter elenco competitivo e infraestrutura adequada. Os torcedores também exibiram faixas com mensagens como “Vasco não é de papel” e “Queremos a SAF já”, demonstrando a urgência do tema.
Panorama político e econômico do clube
O movimento de torcedores ocorre em um contexto de intensa disputa política no futebol brasileiro, onde a adoção do modelo SAF tem sido adotada por clubes como Botafogo, Cruzeiro e Bahia, que conseguiram atrair investidores estrangeiros e melhorar sua situação financeira. No Vasco, as negociações com o grupo 777 Partners, que já detém 70% da SAF, enfrentam resistência de parte da diretoria e de conselheiros, que questionam os termos do acordo e a transparência do processo. A manifestação em São Januário também reflete a insatisfação com a gestão de Jorge Salgado, que assumiu o clube em 2020 com a promessa de reestruturação, mas ainda não conseguiu apresentar resultados concretos no campo ou fora dele.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a venda da SAF é crucial para a sobrevivência do Vasco no cenário competitivo do futebol nacional. “O clube precisa de um aporte financeiro significativo para se manter na Série A e para investir em categorias de base e infraestrutura. A demora na definição da venda gera incertezas e pode afastar patrocinadores e talentos”, afirmou o economista esportivo Carlos Eugênio Lopes, em entrevista ao portal República do Povo. A pressão popular, no entanto, pode acelerar as decisões, mas também expõe as divisões internas entre grupos que defendem a venda total e aqueles que querem manter o controle associativo.
O protesto desta tarde não é isolado. Nos últimos meses, torcedores do Vasco já haviam realizado atos semelhantes em outros pontos do Rio de Janeiro, como na sede do clube em Laranjeiras e em frente à CBF, cobrando mudanças na gestão. A mobilização crescente indica que a torcida está disposta a intensificar a pressão até que a venda da SAF seja concretizada. Até o fechamento desta edição, a diretoria do Vasco não se pronunciou oficialmente sobre o protesto, mas fontes internas afirmam que uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo está marcada para a próxima semana para discutir o tema.
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