Uma tragédia marcou o ecoturismo fluminense na última quarta-feira (26): Caio Rocha Aguiar Arrabal, de 44 anos, morreu ao cair de um penhasco enquanto tirava uma foto no topo da Pedra do Macaco, em Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A vítima integrava uma equipe de apoio em trilhas e, segundo relatos de testemunhas, perdeu o equilíbrio ao se aproximar da borda para registrar a paisagem. O acidente ocorreu por volta das 10h30, e o corpo foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros após cerca de duas horas de trabalho.
Caio Rocha Aguiar Arrabal era conhecido na comunidade de aventureiros por sua experiência em atividades ao ar livre e atuava como guia voluntário em expedições na região. Natural de Niterói, ele deixou esposa e dois filhos. A queda, de aproximadamente 30 metros, foi fatal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar as circunstâncias do acidente, e a perícia esteve no local para coletar evidências.
Panorama de segurança em trilhas no estado do Rio
O caso reacende o debate sobre a segurança em trilhas e pontos turísticos naturais no estado do Rio de Janeiro, que registra, em média, 12 mortes por ano em acidentes relacionados a ecoturismo, segundo dados do Corpo de Bombeiros. A Pedra do Macaco, um dos pontos mais procurados por praticantes de hiking e fotografia, não possui estrutura de segurança, como guarda-corpos ou sinalização de risco. Especialistas apontam que a falta de fiscalização e de equipamentos de proteção coletiva contribui para incidentes fatais. Em 2024, a Prefeitura de Maricá anunciou um plano de requalificação de trilhas, mas as obras ainda não foram concluídas.
A morte de Caio Rocha Aguiar Arrabal também levanta questionamentos sobre a responsabilidade das operadoras de turismo de aventura e a necessidade de treinamento obrigatório para guias. A Associação Brasileira de Ecoturismo (ABET) defende a criação de um cadastro nacional de profissionais habilitados e a exigência de seguro de vida para participantes. Enquanto isso, a comunidade de trilheiros de Maricá organiza uma campanha de arrecadação para ajudar a família da vítima com as despesas funerárias.
O acidente ocorre em um contexto de crescimento do ecoturismo no estado, que atraiu 2,3 milhões de visitantes em 2025, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. A falta de investimento em infraestrutura básica, porém, contrasta com o boom de visitantes. A Secretaria de Turismo de Maricá informou, em nota, que lamenta o ocorrido e que irá reforçar a sinalização nos pontos de maior risco, mas não detalhou prazos ou orçamento para as medidas.
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