O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou, nesta semana, o pedido do Partido dos Trabalhadores (PT) para remover publicações do governador Tarcísio de Freitas relacionadas à sua participação na Festa do Peão de Barretos. A ação, que também envolvia outros partidos, alegava que a presença do candidato no evento configuraria um ‘showmício’, prática vedada pela legislação eleitoral. A decisão, no entanto, entendeu que não houve irregularidade e manteve o conteúdo no ar.
Na petição, os partidos sustentavam que as postagens feitas pelo governador durante o evento, que ocorreu em agosto, teriam caráter de promoção pessoal e eleitoral, caracterizando o que a lei define como showmício — quando um candidato participa de evento artístico ou cultural com intuito de se promover. O PT e os demais signatários pediam a retirada imediata das publicações e a aplicação de multa.
Ao analisar o caso, o relator do processo no TRE-SP entendeu que a participação de Tarcísio na festa, um dos maiores eventos do agronegócio no país, não se enquadra na definição de showmício, pois não houve a contratação de artistas para o ato político, nem a utilização do palco principal para discurso de campanha. A decisão destacou que a presença de autoridades públicas em eventos de grande porte é comum e não configura, por si só, abuso de poder ou propaganda irregular.
Impacto da decisão no cenário eleitoral
Essa decisão do TRE-SP ocorre em um momento de acirramento da disputa eleitoral em São Paulo, onde Tarcísio de Freitas busca a reeleição. A negativa do pedido do PT é vista como uma vitória para a estratégia de comunicação do governador, que tem utilizado eventos públicos e redes sociais para ampliar sua visibilidade. Para os partidos de oposição, a decisão representa um revés, mas eles já sinalizam que devem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Especialistas em direito eleitoral apontam que a decisão do TRE-SP reforça a jurisprudência recente sobre o tema, que tende a considerar a participação de candidatos em eventos públicos como parte do jogo democrático, desde que não haja exploração direta de palco ou contratação de shows para fins eleitorais. A fronteira entre o que é permitido e o que é vedado, no entanto, continua sendo objeto de debate e pode variar conforme as circunstâncias de cada caso.
O caso também evidencia a importância das redes sociais nas campanhas modernas. As publicações de Tarcísio sobre Barretos geraram grande engajamento e foram alvo de disputa judicial, mostrando que a batalha eleitoral se estende também ao ambiente digital. A decisão do TRE-SP, ao manter o conteúdo no ar, permite que o governador continue utilizando essas plataformas para se comunicar com o eleitorado, enquanto a oposição busca formas de limitar esse alcance.
Em nota, o PT informou que respeita a decisão, mas que estuda os próximos passos. Já a assessoria do governador comemorou o resultado, afirmando que a Justiça Eleitoral reconheceu a legalidade de sua conduta. O caso segue gerando repercussão e pode influenciar outras ações semelhantes em todo o país.
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