O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a negar, nesta quinta-feira (26), o repasse de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã, classificando a informação como “fake news”. No entanto, o valor consta explicitamente em um memorando divulgado após o acordo firmado entre Washington e Teerã, gerando uma nova controvérsia no cenário geopolítico global.
O memorando, assinado por autoridades americanas e iranianas, detalha que os recursos seriam destinados à reconstrução de infraestrutura, setor energético e programas sociais no Irã, como parte de um amplo entendimento diplomático. A negativa de Trump ocorre em meio a críticas de setores conservadores nos EUA, que veem o repasse como um benefício excessivo a um país historicamente rival. Por outro lado, analistas internacionais apontam que o valor, embora elevado, está alinhado com acordos anteriores de compensação em negociações de paz no Oriente Médio.
O contexto do acordo e as reações
O acordo entre EUA e Irã foi anunciado no início do mês, após meses de negociações secretas mediadas por países como Catar e Omã. O documento prevê não apenas o repasse financeiro, mas também a retirada gradual de sanções econômicas contra Teerã, em troca de compromissos de desnuclearização e combate ao terrorismo. A quantia de US$ 300 bilhões, equivalente a cerca de R$ 1,5 trilhão, seria liberada em parcelas ao longo de cinco anos, sob supervisão de uma comissão bilateral.
A declaração de Trump gerou perplexidade entre diplomatas e especialistas. “É impossível que o presidente desconheça o teor de um memorando que ele próprio autorizou”, afirmou John Smith, analista do Council on Foreign Relations, em entrevista à Reuters. “A negação pode ser uma tentativa de acalmar a base republicana, que vê o acordo como uma traição aos interesses americanos.”
Impacto político e econômico
O caso expõe as tensões internas no governo Trump, que busca equilibrar a retórica de confronto com o Irã e a necessidade de cumprir acordos internacionais. Enquanto isso, no Irã, a notícia do repasse foi recebida com cautela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Nasser Kanaani, declarou que “o valor está documentado e não pode ser negado por declarações unilaterais”.
No cenário global, a controvérsia reforça a desconfiança em relação à política externa americana. Países como Rússia e China já criticaram o acordo, alegando que ele viola sanções da ONU. A União Europeia, por sua vez, pediu transparência e a divulgação integral do memorando. O mercado financeiro reagiu com volatilidade, com o barril de petróleo oscilando 2% após a declaração de Trump.
Especialistas em direito internacional apontam que, se o repasse for confirmado, os EUA podem enfrentar questionamentos legais de outros países que também buscam compensações por danos causados por sanções. “O precedente é perigoso”, alerta Maria Silva, professora de relações internacionais da Universidade de Brasília. “Abrir um cofre de US$ 300 bilhões para o Irã pode gerar uma onda de pedidos similares de Venezuela, Síria e Cuba.”
Até o momento, a Casa Branca não comentou oficialmente a divergência entre a fala de Trump e o conteúdo do memorando. O documento, obtido pelo portal Frances News, está disponível para consulta pública, mas sua autenticidade não foi contestada por fontes oficiais. A oposição democrata já anunciou que solicitará uma investigação no Congresso para esclarecer o caso.
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