Nas eleições de 2022, 101.808 eleitores de Juiz de Fora deixaram de escolher um candidato a presidente da República, ao somar abstenções, votos brancos e votos nulos. O contingente representa 24,3% do eleitorado apto a votar naquele ano, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se formassem um grupo político, seriam uma das maiores forças eleitorais da cidade, superando a população de muitos municípios mineiros.
O número expressivo levanta uma questão central para as eleições de 2026: qual impacto esse eleitorado poderia ter se participasse efetivamente das escolhas políticas? Embora votos brancos e nulos não sejam contabilizados como votos válidos e as abstenções não alterem diretamente o resultado, o volume de ausências revela um desafio para a democracia brasileira.
Abstenção, brancos e nulos: um retrato da descrença
Em Juiz de Fora, os quase 102 mil registros de ausência, branco e nulo em 2022 mostram que existe um contingente expressivo da população que, por desinteresse, protesto ou descrença, optou por não ajudar a escolher os rumos políticos do país. O fenômeno não é isolado: nos últimos três pleitos presidenciais, a soma de abstenções, brancos e nulos permaneceu elevada na cidade.
No primeiro turno para presidente, os números foram: 2014: 111.117 eleitores (28,3%); 2018: 112.515 eleitores (28,3%); 2022: 101.808 eleitores (24,3%). Mesmo com oscilações, o percentual permanece próximo de um em cada quatro eleitores.
O cenário se agrava na eleição para governador. No primeiro turno, os índices foram ainda mais altos: 2014: 147.060 eleitores (37,5%); 2018: 157.401 eleitores (39,5%); 2022: 137.560 eleitores (32,9%).
Estabilidade e alerta para 2026
O professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Moacir de Freitas Júnior, afirma que os índices de abstenção estão estáveis ao longo das últimas eleições, mas o volume de eleitores que deixam de participar revela um desafio permanente para a democracia. A série de reportagens do g1, publicada a dois meses do primeiro turno das Eleições 2026, analisa o perfil do eleitorado do quarto maior colégio eleitoral de Minas Gerais, incluindo a diminuição do eleitorado enquanto a população cresce, o envelhecimento dos eleitores, a participação dos jovens, o peso do voto feminino e o impacto das abstenções.
O cenário de Juiz de Fora reflete uma tendência nacional de desengajamento, que especialistas associam à desconfiança nas instituições e à falta de identificação com as opções apresentadas. Para 2026, a expectativa é de que o debate sobre participação política e reforma eleitoral ganhe força, especialmente diante do crescimento do eleitorado jovem e da necessidade de ampliar a representatividade.
Enquanto isso, os dados do TSE servem de alerta: mais de 100 mil eleitores de uma única cidade mineira ficaram à margem da decisão presidencial em 2022. O desafio para os próximos pleitos é transformar esse contingente em participação efetiva, seja por meio de políticas de engajamento, educação política ou ampliação dos canais de diálogo entre representantes e representados.
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