Vaquinhas virtuais para 2026: pré-candidatos de direita dominam ranking e arrecadam quase R$ 3 milhões

Cinquenta dias após a liberação das ‘vaquinhas virtuais’ para as eleições de 2026, a plataforma QueroApoiar, autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a intermediar doações de pessoas físicas, revela que os 10 pré-candidatos mais apoiados já arrecadaram juntos quase R$ 3 milhões. O ranking, atualizado em tempo real, mostra que o nome com maior apoio é Renan Santos, pré-candidato à Presidência da República pelo Missão, que recebeu mais de R$ 1,1 milhão de cerca de 19 mil pessoas até a publicação desta reportagem.

Os dados da QueroApoiar indicam que a maioria dos pré-candidatos no topo da lista tem forte presença nas redes sociais e é predominantemente de direita. Jones Manoel (Psol), pré-candidato a deputado federal, aparece em segundo lugar com R$ 447 mil arrecadados. Em seguida, Marcel Van Hattem (Novo), pré-candidato ao Senado, com R$ 338 mil; Rodrigo Spada (PSD), pré-candidato a deputado federal, com R$ 260 mil; e Kim Kataguiri (Missão), pré-candidato a deputado federal, com R$ 191 mil. A lista ainda inclui Humberto Matos (PCdoB), pré-candidato a deputado estadual do Rio Grande do Sul, com R$ 152 mil; Elias Jabbour (PCdoB), pré-candidato a deputado federal, com R$ 129 mil; Professor José (PSB), pré-candidato a deputado federal, com R$ 109 mil; Gustavo Gayer (PL), pré-candidato ao Senado, com R$ 85 mil; e Rony Gabriel (Podemos), pré-candidato a deputado federal, com R$ 70 mil.

O cientista político e professor da FGV Marco Antonio Teixeira explica que a predominância de políticos de direita no ranking não é coincidência. ‘Os políticos de direita atuam nas redes sociais há mais tempo. A esquerda começou a enfrentar as redes sociais recentemente’, afirma. Para Teixeira, há uma correlação direta entre apoio monetário e força nas redes sociais. ‘As redes são um espaço onde você dialoga com quem não está atuando politicamente em uma estrutura tradicional. Os usuários muitas vezes são pessoas que não estão em partidos, sindicatos ou associações. O político consegue pegar esse cidadão que gostaria de se posicionar politicamente, mas não tem tempo. Nas redes sociais, ele é atraído e toma essa decisão de apoiar. É um militante que não vai para a rua. Ele atua mobilizado pelos diferentes canais de rede social’, detalha o especialista.

O panorama político geral mostra que a arrecadação via vaquinhas virtuais reflete uma mudança no financiamento de campanhas, com candidatos menos conhecidos nacionalmente conseguindo mobilizar recursos significativos por meio de plataformas digitais. A QueroApoiar, uma das plataformas autorizadas pelo TSE, oferece transparência em tempo real sobre os valores arrecadados e o número de apoiadores, o que pode influenciar a estratégia de campanhas futuras. O fenômeno também levanta questões sobre o papel das redes sociais na mobilização política e na captação de recursos, especialmente em um cenário onde a confiança nas instituições tradicionais é baixa.

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