Varizes e gestação: a janela de tratamento que muitas mulheres descobrem tarde

Existe uma decisão em saúde vascular que precisa ser tomada antes da gravidez — e raramente é. A gestação é, ao mesmo tempo, um dos períodos de maior progressão das varizes e um dos períodos em que menos se pode fazer para tratá-las. Quando essas duas variáveis se cruzam sem planejamento, a paciente passa a gravidez sentindo dor, peso e cansaço, sem janela terapêutica disponível, e sai do puerpério com um quadro vascular mais avançado do que entrou.

Por que a gravidez piora as varizes? A combinação é tripla. Primeiro, há aumento progressivo do volume sanguíneo circulante — em torno de 40% até o final da gestação, sobrecarregando todo o sistema venoso. Segundo, hormônios da gravidez (especialmente progesterona) relaxam as paredes das veias, favorecendo dilatação. Terceiro, o útero em crescimento comprime as veias da pelve, dificultando o retorno venoso das pernas. Esses três fatores se somam ao longo de nove meses — e podem persistir, em parte, depois.

Opções terapêuticas restritas durante a gestação

Durante a gestação, as opções terapêuticas são extremamente restritas. Escleroterapia química está formalmente contraindicada pelo risco de efeitos sobre o feto. Procedimentos a laser ou cirurgia, salvo em casos absolutamente excepcionais, são adiados. Medicamentos venoativos têm uso restrito ou proibido em alguns períodos da gravidez. O que sobra são medidas paliativas — meias de compressão, elevação dos membros, hidratação, atividade física leve. São paliativos. Não tratam, apenas amenizam.

Avaliação pré-concepcional: a chave para evitar o agravamento

Por isso a recomendação vascular é clara: avaliar as varizes antes do planejamento da gravidez, e tratar o que estiver indicado. Mulheres com varizes já conhecidas, sintomas de insuficiência venosa, histórico familiar de trombose ou planos de gestação no próximo ano ganham especialmente com essa avaliação. Tratar antes não impede que a gestação cause alguma piora — mas reduz substancialmente a magnitude da progressão e os sintomas durante e depois.

A honestidade médica obriga uma observação: nem toda paciente precisa tratar antes de engravidar. Em muitos casos, a avaliação mostra que não há indicação cirúrgica naquele momento, e a recomendação é apenas de acompanhamento. Se um tratamento não é indicado, ele não deve ser feito — preservar a credibilidade é mais importante do que preencher agenda.

Serviço especializado em Divinópolis

Na LYS Clínica Vascular, em Divinópolis (MG), a avaliação pré-gestacional vascular inclui ultrassom Doppler completo, mapeamento de fatores de risco e definição individualizada do que tratar (e do que não tratar). A clínica atende pacientes não só da cidade, mas de toda a região Centro-Oeste de Minas Gerais. A condução do diagnóstico e do tratamento é do Dr. Carlo Rachid Dellaretti — CRM-MG 43.200 / RQE 37.358 (Cirurgia Vascular e Angiologia).

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