Vereador preso Senival Moura pede desfiliação do PT para não prejudicar partido

O vereador Senival Moura, preso em São Paulo na última quinta-feira (25), pediu afastamento do Partido dos Trabalhadores (PT), conforme informou em nota o diretório do partido. O político é investigado por participar de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), em operação que também mira a infiltração do crime organizado em empresa de ônibus que atua na capital paulista.

“Informamos que o vereador Senival Moura encaminhou, neste sábado (27), à direção do Diretório Municipal do PT São Paulo, o pedido de afastamento de sua filiação ao Partido dos Trabalhadores, com a justificativa de se dedicar à sua defesa e de não vincular os últimos acontecimentos ao partido”, diz a nota oficial do PT.

A defesa do vereador informou ter recebido com “profunda indignação” a notícia da prisão, ocorrida durante operação da Polícia Civil e do Ministério Público para investigar a infiltração do PCC em empresa de ônibus – a Transunião – que presta serviço à cidade de São Paulo. “O vereador Senival Pereira de Moura recebeu com profunda indignação a notícia da decretação de sua prisão temporária no âmbito de investigação em curso”, acrescenta a nota da defesa.

Investigação e contexto político

Senival foi preso sob suspeita de integrar esquema de lavagem de dinheiro para o PCC usando a Transunião, empresa de ônibus que opera linhas municipais. A operação faz parte de um conjunto de investigações que já resultaram em denúncias contra líderes do PCC, como Marcola e a influenciadora Deolane Bezerra, réus por lavagem de dinheiro da facção. O caso ganha relevância nacional após os Estados Unidos passarem a designar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em maio de 2026.

O parlamentar permanece preso. A nota da defesa afirma que o vereador “confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”. O PT, por meio de nota, também se manifestou sobre a prisão de Senival e informou que “tomou conhecimento dos fatos e acompanhará o desenrolar das investigações”.

O caso expõe a complexa relação entre o crime organizado e o setor de transporte público em São Paulo, além de levantar questionamentos sobre a atuação de agentes políticos em esquemas de lavagem de dinheiro. A operação contra a Transunião é mais um capítulo na luta das autoridades contra a infiltração do PCC em empresas legítimas, um fenômeno que tem se intensificado nos últimos anos.

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