Vereadores de Maceió cobraram, em pronunciamento oficial, que o Governo de Alagoas adote medidas urgentes para ampliar o atendimento a pacientes oncológicos e para resolver a grave situação estrutural do Hospital Geral do Estado (HGE), unidade de referência em urgência e emergência no estado. A cobrança foi feita durante sessão na Câmara Municipal, com apoio de lideranças comunitárias e entidades de defesa dos direitos dos pacientes, e reflete a insatisfação crescente com a demora na fila de espera por consultas, exames e cirurgias oncológicas, além da superlotação e da falta de insumos básicos no HGE.
Os parlamentares destacaram que o número de novos casos de câncer em Alagoas tem crescido nos últimos anos, mas a rede pública de saúde não acompanhou essa demanda. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o estado registrou mais de 4 mil novos casos da doença em 2024, com projeção de aumento para 2025. Apesar disso, o Hospital da Mulher, que deveria ser referência em oncologia feminina, ainda não concluiu a implantação do serviço de radioterapia, e o HGE, que atende casos de urgência oncológica, opera com leitos de UTI lotados e falta de medicamentos essenciais, como morfina e antibióticos.
Panorama político e pressão sobre o Executivo
A cobrança dos vereadores ocorre em meio a um cenário de tensão política entre o Legislativo municipal e o Palácio República dos Palmares. Nos últimos meses, ao menos três frentes parlamentares foram criadas na Câmara para fiscalizar a saúde pública, e o tema oncológico ganhou destaque após a morte de uma paciente de 32 anos que aguardava vaga para cirurgia de câncer de mama há mais de seis meses. A situação expõe a fragilidade do sistema de saúde alagoano, que depende majoritariamente do SUS, e coloca pressão sobre o governador, que tem sido alvo de críticas por supostas falhas na gestão da saúde.
Paralelamente, a indefinição sobre a candidatura majoritária do pré-candidato ao Governo de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), tem gerado desgaste e rachado a base aliada, conforme noticiou o portal República do Povo. A indefinição de JHC sobre disputar o governo ou apoiar outro nome tem enfraquecido a articulação política e dificultado a aprovação de pautas importantes na Assembleia Legislativa, como a liberação de recursos para a saúde. Essa instabilidade política pode atrasar ainda mais as respostas do Executivo às demandas dos vereadores.
Os vereadores também lembraram que, em 2023, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) já havia apontado irregularidades na gestão de contratos e na prestação de serviços oncológicos, com recomendação de melhoria imediata. No entanto, até o momento, o governo não apresentou um plano concreto para resolver o problema. A cobrança agora se intensifica com a proximidade do Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, quando entidades planejam atos públicos em frente ao HGE e à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
A reportagem do República do Povo tentou contato com a Sesau para comentar as cobranças, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação oficial.
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