Um homem foi preso em flagrante na noite desta quarta-feira (5) no bairro de Cidade Universitária, em Maceió, após pisar no pescoço da própria irmã durante uma discussão. A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar de Alagoas, que atendeu a denúncia de vizinhos assustados com os gritos vindos da residência. A vítima, de 34 anos, foi socorrida com ferimentos leves, mas o caso escancara mais um episódio de violência doméstica em uma região que já registra alta incidência de agressões intrafamiliares.
Segundo o boletim de ocorrência, a briga começou por volta das 20h, quando o suspeito, de 38 anos, e a irmã discutiram por motivos ainda não esclarecidos pela polícia. Testemunhas relataram que o homem, em um acesso de fúria, derrubou a mulher no chão e, em seguida, pisou com força no pescoço dela, impedindo-a de se levantar. Vizinhos ouviram os pedidos de socorro e acionaram a Polícia Militar, que chegou ao local minutos depois. Os agentes encontraram a vítima caída, com marcas de vermelhidão no pescoço e dificuldade para respirar. O agressor foi detido ainda na casa e encaminhado à Central de Flagrantes, onde foi autuado por lesão corporal no contexto de violência doméstica, conforme a Lei Maria da Penha.
Violência doméstica em Alagoas: números e contexto
O caso de Cidade Universitária não é isolado. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas apontam que, em 2024, o estado registrou mais de 8 mil ocorrências de violência doméstica, com uma média de 22 casos por dia. A região metropolitana de Maceió concentra cerca de 60% desses registros, e bairros como Cidade Universitária, Tabuleiro do Martins e Benedito Bentes lideram as estatísticas. Especialistas ouvidos pelo Portal República do Povo destacam que a violência entre irmãos, embora menos noticiada, é uma realidade silenciosa: muitas vítimas demoram a denunciar por laços afetivos ou medo de represálias. A Delegacia da Mulher de Maceió reforça que agressões físicas e psicológicas entre parentes próximos também se enquadram na Lei Maria da Penha e devem ser denunciadas pelo 180.
Impacto social e medidas de proteção
A prisão em flagrante do irmão agressor ocorre em um momento em que o Governo de Alagoas amplia campanhas de conscientização sobre violência doméstica, como a Rede de Proteção à Mulher, que integra polícia, assistência social e saúde. No entanto, a agressão em Cidade Universitária expõe lacunas: a vítima não possuía medida protetiva e, segundo vizinhos, as brigas entre os irmãos eram frequentes. A Polícia Civil informou que a mulher foi orientada a solicitar uma ordem de afastamento e encaminhada a um abrigo temporário, enquanto o suspeito permanece preso à disposição da Justiça. O caso também reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas que abordem a violência intrafamiliar de forma mais ampla, incluindo agressões entre irmãos e outros parentes, que muitas vezes ficam à margem das estatísticas oficiais.
A Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, informou que equipes do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) farão acompanhamento psicológico e social da vítima. Enquanto isso, o Portal República do Povo apurou que o agressor já tinha passagens por lesão corporal leve em 2021, mas o caso foi arquivado. A prisão desta quarta-feira pode resultar em pena de 3 meses a 3 anos de reclusão, além de medidas protetivas para a irmã. O episódio serve como alerta para a sociedade: a violência doméstica não escolhe parentesco, e o silêncio das vítimas só agrava o ciclo de agressões.
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