Violência doméstica: homem é preso no Benedito Bentes após oferecer R$ 200 a ex-cunhada por sexo e agredi-la diante da recusa

Um homem foi preso em flagrante no bairro do Benedito Bentes, em Maceió, após oferecer R$ 200 à ex-cunhada em troca de sexo e, diante da recusa da vítima, agredi-la fisicamente, apertando seu pescoço. O caso, registrado pela Polícia Civil de Alagoas, ocorreu na última quarta-feira (26) e foi divulgado pelo portal Frances News. A prisão foi efetuada por equipes da Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), que atenderam à ocorrência após denúncia da vítima.

Segundo o boletim de ocorrência, o acusado, cujo nome não foi divulgado, abordou a ex-cunhada em via pública e fez a proposta financeira de forma explícita. Ao receber a resposta negativa, o acusado reagiu com violência, agarrando a mulher e apertando o seu pescoço, causando lesões leves, mas que configuram crime de lesão corporal no âmbito da violência doméstica. A vítima conseguiu se desvencilhar e acionou a polícia, que chegou ao local minutos depois e efetuou a prisão em flagrante.

Panorama da violência contra a mulher em Alagoas

O episódio no Benedito Bentes não é um caso isolado. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas indicam que, em 2025, o estado registrou um aumento de 12% nos casos de violência doméstica em comparação com o ano anterior, com destaque para os bairros periféricos da capital, como Benedito Bentes, Jacintinho e Clima Bom. Especialistas apontam que a combinação de fatores como desemprego, uso de álcool e a naturalização da objetificação feminina contribui para a escalada de agressões. A delegada titular da DEAM, Ana Paula Santos, afirmou em entrevista coletiva que “casos como este mostram a urgência de campanhas educativas e de um sistema de proteção mais ágil para as vítimas”.

Repercussão e medidas legais

O acusado foi encaminhado ao sistema prisional e responderá pelos crimes de importunação sexual, lesão corporal e ameaça, todos no contexto da Lei Maria da Penha. A vítima recebeu acompanhamento psicológico e foi incluída no programa de proteção à mulher da Prefeitura de Maceió. Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como o Instituto Maria da Penha e a ONG Elas por Elas, emitiram notas de repúdio e cobram do governo estadual a ampliação de delegacias especializadas e abrigos temporários. O caso também gerou debate nas redes sociais, com usuários questionando a eficácia das medidas protetivas e a necessidade de penas mais severas para agressores reincidentes.

A Polícia Civil informou que investiga se o acusado já possuía histórico de violência contra outras mulheres. Até o fechamento desta reportagem, o suspeito permanecia detido e aguardava audiência de custódia. A vítima, que pediu anonimato, declarou à reportagem que “não esperava que uma proposta tão degradante pudesse terminar em agressão física” e que “espera que a Justiça seja feita para que outras mulheres não passem pelo mesmo”.

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