Uma mulher de 43 anos, identificada como Ana Paula, perdeu a visão e teve parte da língua arrancada após ser arrastada para uma área de mata e ter o corpo queimado pelo companheiro, no bairro Tabuleiro dos Martins, em Maceió. O crime ocorreu no dia 26 de junho, na Favela da Coca, e o suspeito foi preso. A informação foi confirmada pela médica cirurgiã plástica Anna Lima, que acompanha a vítima no Centro de Atendimento ao Queimado (CAQ) do Hospital Geral do Estado (HGE), onde Ana Paula permanece internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
Segundo a médica Anna Lima, as queimaduras comprometeram as duas córneas da paciente, resultando na perda total da visão. “A superfície corporal queimada é de cerca de 63%. O problema é que ela tem queimaduras graves. Ela foi avaliada por oftalmologistas e, infelizmente, houve perda das córneas. Ela também sofreu avulsão de grande parte da língua e segue sendo acompanhada”, explicou a especialista. O g1 entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que informou que, por se tratar de um caso de violência, o hospital não está autorizado a divulgar informações sobre o estado de saúde da paciente.
Detalhes do crime e da prisão
O ataque ocorreu após uma crise de ciúmes, segundo relato da vítima. O suspeito, que não teve o nome divulgado, foi preso depois de dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro dos Martins para receber atendimento médico, apresentando queimaduras na perna direita. Na unidade de saúde, o homem tentou se passar por outra pessoa, mas foi identificado como o autor do crime. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) também participaram da ocorrência. Durante o atendimento inicial, Ana Paula perdeu os cabelos em decorrência das queimaduras e apresentava lesões graves na região dos olhos.
Panorama político e social
O caso ocorre em meio a um cenário de crescente violência doméstica em Alagoas, onde o feminicídio e as tentativas de feminicídio têm mobilizado autoridades e movimentos sociais. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e a Polícia Civil têm intensificado operações de combate à violência contra a mulher, mas casos como o de Ana Paula evidenciam a gravidade e a necessidade de políticas públicas mais efetivas de prevenção e acolhimento. O crime no Tabuleiro dos Martins também reacende o debate sobre a subnotificação e a dificuldade de acesso a medidas protetivas em áreas periféricas da capital alagoana.
Fonte: ver noticia original

