Zema leva ao Senado pedido de impeachment de Moraes em meio ao escândalo do Banco Master

Governador de Minas Gerais protocolou representação com apoio do partido Novo e do ex-procurador Deltan Dallagnol, citando suspeitas de violação ao dever de imparcialidade e possível tráfico de influência

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), protocolou na segunda-feira (9/3) no Senado Federal um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, com base em supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A representação reúne assinaturas de dirigentes e parlamentares do Novo, além do ex-procurador Deltan Dallagnol.

O núcleo das acusações gira em torno de trocas de mensagens e encontros atribuídos a Moraes com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os autores do pedido sustentam que esse contato configuraria conduta incompatível com a função de magistrado, enquadrável como crime de responsabilidade. O ministro nega ser o autor das mensagens citadas.

O documento também aponta suspeitas sobre contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Os signatários levantam hipóteses de tráfico de influência, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, sem que até o momento haja condenação ou reconhecimento judicial dessas condutas.

Além do afastamento definitivo, o pedido inclui suspensão cautelar de Moraes enquanto os fatos são apurados. Os autores argumentam que a permanência do ministro no tribunal poderia interferir na análise das denúncias — argumento comum em representações desse tipo, embora o Senado, historicamente, raramente aceite pedidos de impeachment contra integrantes do STF.

Em coletiva à imprensa no Senado, Zema afirmou que os envolvidos agiriam como se estivessem “acima da lei” e criticou o que classificou como silêncio de outras lideranças e instituições diante das acusações. O governador não apresentou provas adicionais além das já citadas na representação.

Este é o décimo pedido de impeachment contra ministros do STF registrado apenas em 2026, segundo o levantamento do Correio Braziliense. Moraes já havia sido alvo de outra representação neste mesmo ano, também relacionada ao contrato entre o Banco Master e o escritório ligado a sua família. Cabe ao presidente do Senado decidir sobre o recebimento ou arquivamento do pedido, etapa que, na prática, costuma encerrar a maioria dessas iniciativas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *