A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de apurar indícios de uma ação coordenada em redes sociais voltada a comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central. A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mira um esquema que, segundo as apurações, utilizava informações obtidas ilicitamente para coagir jornalistas e manipular a opinião pública.
Os investigadores apuram a possível atuação de uma organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e à obtenção indevida de informações sigilosas. O empresário Thiago Miranda é o principal alvo desta fase da operação. Conforme a decisão do ministro André Mendonça, Thiago Miranda é apontado como o principal articulador de um esquema para recrutar influenciadores digitais e jornalistas, utilizando valores de até R$ 2 milhões e contratos com cláusulas de confidencialidade. O objetivo seria descredibilizar órgãos públicos, atacar a atuação do Banco Central e manipular a opinião pública.
Detalhes da investigação
Segundo a Polícia Federal, estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão determinados pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão do ministro André Mendonça autorizou a apreensão de documentos físicos e eletrônicos, dispositivos de armazenamento de dados e mídias, além de bens de alto valor e dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil. Os policiais também investigam a adoção de medidas para interferência em investigações criminais.
De acordo com as apurações, o grupo investigado utilizava informações obtidas ilicitamente — incluindo quebra de sigilo e devassas em dados financeiros, cadastrais e de familiares de jornalistas e concorrentes — para coagir e intimidar aqueles que resistiam aos interesses do esquema. Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos, como possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
Panorama político e desdobramentos
A Operação Compliance Zero já havia ganhado destaque em fases anteriores, como quando atingiu o Banco Master, o senador Jaques Wagner e um banqueiro em um esquema bilionário, conforme reportado pelo portal República do Povo. A nova fase reforça a atuação da Polícia Federal no combate a esquemas que visam desestabilizar instituições públicas e intimidar profissionais da imprensa. A operação também se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre vazamentos e interferências em processos criminais, como a operação que desencadeou um grande impacto contra vazamento em investigação bilionária do Banco Master.
A ação desta quinta-feira ocorre em meio a um cenário de crescente pressão sobre o sistema financeiro e de comunicação no Brasil, com reflexos em investigações como a Operação Infesto, que cumpriu mandados em PE e PB contra grupo suspeito de desviar R$ 3,8 milhões em contratos públicos, e a classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA, que amplia a pressão sobre o Brasil e expõe divergências políticas. A Polícia Federal segue apurando os fatos para responsabilizar os envolvidos.
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