59% dos brasileiros apoiam classificar PCC e CV como terroristas, mas 74% rejeitam interferência dos EUA, aponta Datafolha

Uma pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira, revela que 59% dos brasileiros apoiam a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No entanto, 74% dos entrevistados rejeitam qualquer tipo de interferência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil, indicando uma forte defesa da soberania nacional mesmo diante do apoio à medida.

O levantamento, realizado entre os dias 20 e 24 de junho, ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os dados mostram que a opinião pública está dividida quando o tema envolve a participação estrangeira: enquanto 59% são favoráveis ao enquadramento das facções como terroristas, apenas 18% acreditam que os EUA deveriam ter algum papel nesse processo. Para 74%, a decisão deve ser exclusivamente brasileira.

Panorama político e debate sobre soberania

A pesquisa ocorre em meio a um acirrado debate no Congresso Nacional sobre a tipificação penal de organizações criminosas como terroristas. No mês passado, o parlamento rejeitou um projeto de lei que equiparava facções como PCC e CV a grupos terroristas, gerando críticas de setores da segurança pública e da sociedade civil. A rejeição foi vista como uma derrota para o governo federal, que defendia a medida como forma de ampliar o combate ao crime organizado.

O tema ganhou ainda mais relevância após declarações de autoridades norte-americanas sugerindo cooperação no enfrentamento ao crime no Brasil. A rejeição de 74% dos brasileiros à interferência dos EUA reflete uma preocupação histórica com a soberania nacional, especialmente em temas sensíveis como segurança e política criminal. Especialistas apontam que a população apoia medidas duras contra o crime, mas não abre mão do controle interno sobre as decisões.

O levantamento também revela que a classificação como terroristas é mais apoiada entre eleitores com maior escolaridade (67%) e renda familiar acima de cinco salários mínimos (71%). Já entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, o apoio cai para 51%. A rejeição à interferência dos EUA é transversal, com índices acima de 70% em todas as faixas etárias e regiões do país.

Para analistas políticos, os dados indicam que o governo federal precisa equilibrar o discurso de combate ao crime com a defesa da soberania. Enquanto a população quer ações mais enérgicas contra facções como PCC e CV, a desconfiança em relação a potências estrangeiras permanece alta. O debate deve continuar no Congresso, onde novas propostas sobre o tema podem surgir nos próximos meses.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *