O influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado a 14 anos e 4 meses de prisão em regime fechado, em decisão proferida pela Justiça do Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (26). Sua esposa, Gabriela Sousa, também foi sentenciada a 8 anos e 4 meses de reclusão, pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. A sentença, que marca um dos maiores casos de fraude digital no estado, abrange um esquema que envolvia rifas falsas, sorteios fraudulentos e promessas de prêmios de alto valor, como carros de luxo e eletrônicos, que nunca foram entregues às vítimas.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), o casal utilizava a popularidade de Nego Di nas redes sociais para atrair seguidores e fãs, oferecendo rifas com prêmios tentadores. As investigações revelaram que os sorteios eram manipulados, com vencedores previamente selecionados ou até mesmo inexistentes. Estima-se que mais de 500 pessoas tenham sido lesadas em todo o país, com prejuízos que ultrapassam R$ 2 milhões. A lavagem de dinheiro ocorria por meio da compra de bens de alto valor, como imóveis e veículos, em nome de terceiros, dificultando o rastreamento dos recursos obtidos ilegalmente.
Esquema milionário e vítimas em todo o Brasil
O esquema operava de forma sistemática: Nego Di e Gabriela Sousa anunciavam rifas em lives e postagens, com prêmios que incluíam desde smartphones até automóveis importados. As vítimas, na maioria jovens e seguidores do influenciador, compravam bilhetes que variavam de R$ 10 a R$ 500. Após o suposto sorteio, os ganhadores nunca recebiam os prêmios, e o casal desaparecia com o dinheiro. A investigação, conduzida pela Delegacia de Estelionatos de Porto Alegre, contou com a colaboração de vítimas de estados como São Paulo, Minas Gerais e Bahia. O MP-RS destacou que o casal agia com “dolo direto e reiterado”, demonstrando total desprezo pelas vítimas e pela lei.
Além das penas privativas de liberdade, a Justiça determinou o bloqueio de bens e contas bancárias do casal, no valor total de R$ 3,5 milhões, para garantir a reparação dos danos às vítimas. A decisão também inclui a perda de veículos de luxo, como uma BMW e uma Land Rover, além de dois imóveis em Florianópolis e Porto Alegre. A defesa de Nego Di e Gabriela Sousa informou que recorrerá da sentença, alegando “falta de provas concretas” e “cerceamento de defesa”. No entanto, o juiz responsável pelo caso, Marcos Vinícius de Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Porto Alegre, afirmou que o conjunto probatório é “robusto e incontestável”, incluindo prints de conversas, extratos bancários e depoimentos de dezenas de vítimas.
Panorama político e social: o impacto das fraudes digitais
O caso de Nego Di acende um alerta sobre o crescimento de crimes digitais no Brasil, especialmente aqueles que exploram a confiança de seguidores em influenciadores e celebridades das redes sociais. Especialistas em direito digital apontam que a popularização de plataformas como Instagram, TikTok e YouTube criou um ambiente propício para golpes, onde a imagem pública é usada como escudo para atividades ilícitas. Em 2025, o Brasil registrou um aumento de 35% nos casos de estelionato virtual, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com prejuízos que somam mais de R$ 8 bilhões. A condenação de Nego Di, um dos influenciadores mais conhecidos do país, com mais de 5 milhões de seguidores, é vista como um marco na luta contra esse tipo de crime.
Parlamentares da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados já anunciaram que vão propor um projeto de lei para endurecer as penas para crimes de estelionato cometidos por meio de plataformas digitais, especialmente quando envolvem figuras públicas. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que “a sentença de Nego Di é um exemplo de que a Justiça está atenta, mas precisamos de mecanismos mais ágeis para coibir esses crimes”. Já a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) destacou que “a exploração da fé e da confiança das pessoas por influenciadores é inaceitável, e o Estado precisa agir com rigor”. A decisão também reacende o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais na fiscalização de conteúdos e na prevenção de fraudes.
Enquanto aguardam o julgamento dos recursos, Nego Di e Gabriela Sousa permanecem presos preventivamente desde fevereiro de 2025, quando foram detidos em uma operação conjunta da Polícia Civil do RS e da Polícia Federal. O caso segue como um alerta para seguidores e consumidores sobre a necessidade de verificar a idoneidade de sorteios e promoções online, especialmente quando envolvem valores altos e figuras públicas. A sentença, que pode ser a maior já aplicada a um influenciador digital no Brasil por crimes financeiros, reforça a mensagem de que a popularidade não é carta branca para a impunidade.
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