O Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Cristiano Zanin, relator do caso, deu prazo de 15 dias para as defesas dos denunciados responderem às acusações, derrubou o sigilo do processo e manteve as medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico. Caberá à Primeira Turma do STF decidir se aceita a denúncia, que, se recebida, se transformará em ação penal com julgamento dos réus.
A denúncia, apresentada pela PGR na última quarta-feira (27), aponta crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o blog apurou, há ministros do STJ sendo investigados. O ministro relator reafirmou a competência do STF para analisar o caso, ao destacar que há investigações conexas em andamento envolvendo autoridades com foro. Zanin decidiu ainda manter as medidas cautelares vigentes contra os denunciados, incluindo o monitoramento eletrônico, para garantir a ordem pública e a integridade da instrução criminal. O oferecimento da denúncia pela PGR, segundo o relator, reforça os indícios de autoria e materialidade.
PGR pede arquivamento de investigação contra ministras
Na denúncia enviada ao STF, a PGR também pediu o arquivamento de quaisquer linhas de investigação que tangenciem as ministras do STJ Nancy Andrighi e Maria Isabel Gallotti, “à vista da inexistência, no acervo informativo reunido, de elementos de vinculação subjetiva aos fatos apurados”. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que “os elementos reunidos indicam, em sentido diverso, que a prática criminosa se desenvolveu à margem da atuação jurisdicional regular, sem ciência ou anuência das Ministras, mediante atuação desviada de agentes de assessoramento que exploraram indevidamente o acesso interno ao fluxo de elaboração de minutas”. Ele acrescentou que “a atuação desviada de terceiros” lançou “indevida sombra sobre a higidez funcional das magistradas”, apesar de não haver nenhum elemento que ampare qualquer associação das ministras aos fatos investigados.
O ministro Cristiano Zanin respondeu, na decisão, não haver necessidade de arquivamento de linhas de investigação contra as ministras Nancy Andrighi e Maria Isabel Gallotti porque nenhuma das apurações de hipóteses criminais envolve as duas. A PGR solicitou, ainda, a manutenção do foro no STF devido à persistência de “vínculo de conexão com investigações que envolvem autoridade” com foro, sem especificar quem. Com relação ao foro, o ministro acolheu o pedido e explicou que a denúncia acolhida, embora não tenha de fato nenhuma autoridade com foro, ainda está em investigação, de modo que permanece em aberto “a extensão da organização criminosa examinada”.
Entenda o caso
Na última quarta-feira (27), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou o esquema de venda de sentenças no STJ, que envolve a atuação desviada de agentes de assessoramento que exploraram indevidamente o acesso interno ao fluxo de elaboração de minutas. O caso ganhou repercussão nacional e levanta questões sobre a integridade do sistema judiciário brasileiro. A decisão do STF de analisar a denúncia e derrubar o sigilo do processo representa um passo importante para a transparência e a responsabilização dos envolvidos.
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